Justiça manda prender tio e sobrinho em Tijucas: “nunca mais quero saber de imóveis”

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Dois anos após uma série de golpes milionários que atingiram moradores de Tijucas e cidades vizinhas, o corretor informal Osvaldo José Weber Filho e seu sobrinho Crysthian Weber da Silva tornaram-se foragidos da Justiça. Ambos tiveram mandados de prisão expedidos pela Vara Criminal da Comarca de Tijucas após o trânsito em julgado da condenação por estelionato.

Eles chegaram a cumprir prisão preventiva por meses, foram soltos com habeas corpus e aguardaram o desfecho dos recursos em liberdade. Entretanto, após sucessivas negativas da Justiça — no TJSC e no STJ —, a condenação se tornou definitiva e o juiz determinou o início imediato do regime fechado.

Segundo o BNMP, apesar da ordem de prisão, nenhum dos dois foi localizado nos endereços fornecidos e ambos agora constam como procurados pelo Estado.

Crysthian Weber da Silva está foragido

Condenação detalhada: golpes em série e prejuízo milionário

A sentença assinada pelo juiz Luiz Carlos Vailati Junior descreve um esquema que funcionou por pelo menos dois anos, em que tio e sobrinho anunciavam imóveis que não lhes pertenciam, recebiam valores de entrada e parcelas e, posteriormente, revendiam o mesmo bem para outras vítimas ou simplesmente desapareciam.

O magistrado afirma que “a autoria dos crimes é incontestável” e reconhece que ambos atuavam como corretores sem registro profissional. Eles apresentavam contratos falsos, criavam obstáculos fictícios para visitas aos imóveis e prestavam informações enganosas sobre escrituras e proprietários.

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A tentativa de confissão e o fracasso no STJ

Nos interrogatórios, Osvaldo afirmou: “Eu me demonstro arrependido ao extremo e queria muito uma segunda chance de começar tudo de novo.”

Crysthian declarou que jamais teve intenção de aplicar golpes. Mesmo assim, o STJ rejeitou a tese de confissão espontânea, afirmando que os réus nunca admitiram efetivamente os crimes.

A tese do “medo de agiotas”

A defesa sustentou que eles agiram pressionados por agiotas. A versão, entretanto, foi rejeitada por falta de provas. O TJSC reafirmou que dificuldades financeiras não justificam estelionato.

Crimes continuaram mesmo após a soltura

Um ponto considerado decisivo foi que, mesmo após serem soltos por habeas corpus, novas denúncias de estelionato surgiram contra a dupla. Certidões criminais anexadas ao processo comprovam que ambos voltaram a praticar golpes enquanto aguardavam o julgamento final.

Nas palavras do juiz: “A personalidade voltada à prática desses crimes resta evidenciada.”

Como funcionavam os golpes

Os autos listam pelo menos nove vítimas. Entre os casos reconhecidos pela Justiça:

  • Venda de apartamento por R$ 110 mil (junho/2022): vítima pagou entrada, parcelas e valores adicionais; o imóvel era de terceiro.
  • Lote vendido por R$ 100 mil (julho/2022): vítima pagou entrada e parcelas; golpe descoberto em 2023.
  • Lote por R$ 99 mil (março/2023): pagamento com veículo e parcelas.
  • Imóvel por R$ 165 mil: pagamentos feitos por PIX, cheque e dinheiro vivo.
  • Casa anunciada no Facebook: vítima chegou a receber “aluguéis” fictícios até descobrir o golpe.
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Sentença e penas

Osvaldo José Weber Filho foi condenado a:

  • 12 anos e 8 meses de reclusão
  • 15 dias de prisão simples
  • 95 dias-multa

Crysthian Weber da Silva recebeu pena de:

  • 10 anos de reclusão
  • 15 dias de prisão simples
  • 75 dias-multa

O regime inicial estabelecido para ambos é o fechado, considerando o número elevado de vítimas, a continuidade delitiva e o risco de reiteração criminosa.

Habeas corpus, trânsito em julgado e fuga

Em 2024, o Tribunal de Justiça havia concedido um habeas corpus liminar, suspendendo temporariamente a prisão. Mas com o trânsito em julgado em 17 de novembro de 2025, não restou qualquer recurso disponível.

O juiz determinou, então, a expedição dos mandados de prisão definitivos. Como não se apresentaram, tio e sobrinho agora são oficialmente considerados foragidos.

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Resumo

  • Tio e sobrinho aplicaram golpes milionários envolvendo imóveis.
  • Foram presos em 2023 e soltos por habeas corpus em 2024.
  • Recorreram até o STJ e perderam em todas as instâncias.
  • O trânsito em julgado ocorreu em novembro de 2025.
  • A Justiça determinou a prisão em regime fechado.
  • Ambos estão foragidos.

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