Uma cerimonialista de 43 anos foi presa na tarde desta quinta-feira (9) em Criciúma, suspeita de aplicar uma série de golpes em festas de casamento e aniversário ao longo de pelo menos três anos. Segundo a Polícia Civil, o esquema era sempre o mesmo: a mulher fechava contratos, recebia os pagamentos e cancelava os eventos nas 24 horas anteriores à festa, cortando o contato com as vítimas e ficando com o dinheiro. Os prejuízos chegam a R$ 39 mil em um único caso.
De acordo com a investigação, a mulher atuava como promoter e organizadora de eventos. Atraía casais de noivos e aniversariantes com propostas que incluíam toda a logística das festas, decoração, buffet, estrutura e coordenação. Os contratos eram fechados e os valores pagos antecipadamente.
O golpe se concretizava sempre da mesma forma: nas 24 horas que antecediam a celebração, a cerimonialista entrava em contato com os clientes, informava que não poderia cumprir o contrato, interrompia toda a comunicação e não realizava qualquer reembolso. As vítimas ficavam sem festa, sem dinheiro e sem resposta.
A Polícia Civil registrou casos em 2024, 2025 e 2026, com vítimas em diversas cidades de Santa Catarina, incluindo Criciúma e a Grande Florianópolis.
Prejuízos de até R$ 39 mil
Os valores dos golpes variam conforme o porte do evento contratado. Um casal de Criciúma teve um prejuízo de R$ 3,5 mil. Outra vítima, também de Criciúma, relatou à polícia ter perdido R$ 18,5 mil. O caso mais expressivo envolve uma cliente que mora na Itália e que teria perdido aproximadamente R$ 39 mil ao contratar a organização de um evento à distância.
Além do prejuízo financeiro, as autoridades destacam o abalo emocional causado às vítimas, que tinham o dia mais importante de suas vidas interrompido sem qualquer suporte ou alternativa.
A revolta de uma das vítimas extrapolou o âmbito judicial. Segundo a Polícia Civil, a cerimonialista chegou a ser agredida fisicamente por uma cliente em frente a um centro comercial de Criciúma, a mesma que declarou ter sofrido o prejuízo de R$ 18,5 mil.
Presa e à disposição da Justiça
A mulher foi presa e permanece à disposição do Poder Judiciário. A investigação segue em andamento e o inquérito policial deve ser concluído nos próximos dias, quando será encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina, que poderá oferecer denúncia criminal.
A suspeita poderá responder pelo crime de estelionato em continuidade delitiva, quando o mesmo tipo de golpe é aplicado repetidas vezes contra diferentes vítimas.

