A cacica Etelvina Fontora, de 71 anos, líder do povo Guarani na Terra Indígena Cambirela, em Palhoça, na Grande Florianópolis, está desaparecida desde o dia 5 de abril, domingo de Páscoa. Já se passaram mais de duas semanas e a família ainda não recebeu qualquer informação concreta sobre as buscas ou investigações por parte das autoridades.
Etelvina é a única cacica da terra indígena e foi vista pela última vez na aldeia onde mora com o filho. Desde então, ninguém soube mais do seu paradeiro.
Família acionou Funai e polícia, mas não teve retorno
Segundo Kennedy Karai, coordenador da comissão de caciques de Santa Catarina, o desaparecimento foi comunicado às autoridades logo após a constatação. Foram registrados boletins de ocorrência e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) foi acionada. No entanto, até esta terça-feira (21), nenhum dos órgãos deu retorno à família ou à comunidade sobre o andamento das investigações.
“A gente acionou a Funai, fizemos os boletins de ocorrência e tudo mais, mas após isso, tanto a Funai como a força policial ainda não deram nenhum retorno de como está a investigação, como está a procura”, relatou Kennedy.
A foto da cacica Etelvina consta nas redes sociais do programa SOS Desaparecidos, da Polícia Militar, e também no site da Polícia Civil. Apesar da divulgação, não há informações públicas sobre diligências realizadas ou possíveis pistas.
O g1 procurou as Polícias Militar, Civil e Federal nesta terça-feira (21), mas não obteve retorno de nenhum dos órgãos até a última atualização desta reportagem.
Articulação nacional cobra respostas e classifica silêncio como “inaceitável”
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) publicou nota na segunda-feira (20) manifestando repúdio pela falta de respostas e pela ausência de informações concretas sobre o caso.
“Dona Etelvina está desaparecida desde o dia 5 de abril, na aldeia Cambirela, localizada em Palhoça. É inaceitável que, após aproximadamente duas semanas, ainda não haja esclarecimentos sobre seu paradeiro”, escreveu a entidade.
A Apib cobrou ação imediata das autoridades competentes para localizar a cacica e prestar contas à comunidade indígena e à sociedade sobre os esforços empreendidos nas buscas.

