O policial civil Ariovaldo Dias de Sousa, 42 anos, de Guabiruba, é investigado pela Polícia Civil e também pelo Ministério Público (MP-SC) pela prática do crime de corrupção passiva.
A denúncia foi feita por um empresário do ramo têxtil da cidade, onde, em relato, afirma que o policial supostamente cobrou R$ 10 mil de comissão sobre uma venda de fios de origem ilegal.
De acordo com o inquérito da Polícia Civil, conduzido pelo delegado Alex Bonfim Reis, o caso iniciou ano passado, logo após a investigação sobre cargas furtadas e roubadas em Guabiruba, que resultou na recuperação de toneladas de fios e prisões, incluindo a do empresário Jean Carlos Gums.
Através da divulgação deste ocorrido pela imprensa, um empresário suspeitou da procedência das mais de 320 caixas de fio que Jean havia deixado em sua empresa dias antes do ocorrido.
O empresário entrou em contato com a delegacia de Guabiruba, e, posteriormente, o policial Ariovaldo foi até a empresa e constatou que a carga de fios era de procedência ilícita. O agente disse ao empresário que as caixas seriam apreendidas, mas que ele poderia ficar com os fios já colocados nos teares e vendê-los.
Após confirmar que a carga era ilícita, o policial Ariovaldo entrou em contato com o delegado Fernando Farias, responsável pela investigação, e informou sobre a localização do material receptado, mas não contou sobre os rolos que já estavam nos teares.
Para o delegado, toda a carga ilegal havia sido apreendida. Entretanto, apenas as caixas foram apreendidas.
Em depoimento, o empresário afirmou que o policial voltou a procurá-lo e pediu R$ 10 mil como comissão pela venda dos fios. De acordo com o denunciante, essa quantia seria muito superior ao custo comercial deixado nos teares, estimado, segundo ele, entre R$ 6 mil e R$ 7 mil.
O empresário apresentou as mensagens enviadas por Ariovaldo envolvendo o assunto, que, durante a conversa, o agente chega a indicar um empresário interessado em comprar a carga. Ele também se oferece para ir junto receber o dinheiro de um possível comprador e, ainda, se coloca à disposição para cobrar uma dívida.
Ariovaldo teve seu celular apreendido, onde as mensagens encontradas correspondem com o depoimento do empresário. Ao ser questionado, o policial negou as acusações e afirmou que não sabia que os fios deixados nos teares faziam parte da carga receptada por Jean Carlos Gums. De acordo com ele, o empresário não havia repassado esta informação na denúncia, por isso, não pediu para retirar o material.
O policial disse, ainda, que, por desconhecer a procedência ilegal do produto e por já ter realizado operações comerciais semelhantes, não viu problema em aceitar a proposta.
Ariovaldo declarou que foi atrás de possíveis compradores, mas o empresário conseguiu vender a malha para um conhecido e se mostrou relutante em pagar R$ 1 mil prometidos na negociação. Por isso, o investigado resolveu ir pessoalmente até a empresa, mas não teve sucesso.
Por conta disso, ele utilizou o WhatsApp para falar sobre a cobrança, então o empresário pediu seus dados de banco, mas ele afirmou que exigiu o valor em dinheiro vivo. Ainda em depoimento, contou que, por conta da insistência do homem em fazer o pagamento dessa forma, ele desistiu e não o procurou.
Questionado pela a exigência de receber o pagamento somente em dinheiro e pessoalmente, Ariovaldo justificou que adotou essa medida por causa do imposto de renda, além de não querer misturar com a quantia que já estava no banco.
O delegado responsável pelo caso constatou que “há robustos elementos do cometimento de infração penal contra a administração pública”.
Diante dos fatos, o policial Ariovaldo foi indiciado pela prática de corrupção passiva.
Ainda durante a investigação, em seu aparelho celular, foi encontrado outras possíveis ilegalidades que terão investigação a parte. Um destaque dos conteúdos identificados é que Ariovaldo recebia quantias altas para vazar informações do banco de dados da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina para uma empresa têxtil em Guabiruba.
A Imprensa tentou contato com o policial Ariovaldo, mas ele não atendeu as ligações. A defesa dele também foi procurada, mas informou que irá se manifestar apenas no processo.
Por: Alexsandro Simas.



