A história por trás da praça de Itajaí que homenageia o primeiro cão salva-vidas do Brasil

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Itajaí perdeu, há cerca de dois anos, um de seus personagens mais queridos do litoral: o cão Ice, reconhecido como o primeiro cão guarda-vidas do Brasil. Em sua homenagem, a cidade inaugurou um espaço entre a Praia do Atalaia e o Bico do Papagaio, onde banhistas e turistas podem relembrar a trajetória do animal que virou referência nacional em salvamento aquático.


As informações sobre a trajetória do cão foram relatadas pelo sargento Amorim, que acompanhou o treinamento e a atuação do Ice. O ranqueamento como primeiro e único cão guarda-vidas do país foi feito pela revista Ranking Brasil. Originalmente, o Ice havia sido treinado para busca, resgate e salvamento. Depois, virou o piloto de um projeto que testou a viabilidade de incluir cães no serviço de guarda-vidas no litoral catarinense.


A trajetória


Conforme o sargento Amorim, o treinamento durou cerca de um ano e meio e incluiu natação intensiva em mar aberto. O cão aprendeu a atravessar arrebentação e a enfrentar ondas altas. Nas três temporadas em que atuou nas praias de Itajaí, o Ice participou de diversos salvamentos e ações de prevenção.


A presença do animal mudou a dinâmica dos postos de guarda-vidas. Famílias de outros estados visitavam Itajaí só para conhecer o cão. Quando chegavam à praia, a primeira parada era no posto onde o Ice trabalhava. Era nesse contato que os guarda-vidas aproveitavam para orientar banhistas sobre as condições do mar e os locais de risco.


Às vezes as pessoas ignoram a bandeira vermelha. A gente vinha com o Ice, ao invés de usar o apito do guarda-vidas, o Ice latia. As pessoas saíam muito rápido, porque todo mundo ficava olhando para a água.


O legado


Segundo o sargento Amorim, o Ice foi pai de várias linhagens de cães do Corpo de Bombeiros e tem filhos atuando em diversos estados do Brasil. A continuidade do trabalho ficou na própria família do treinador: quando ele se aposentou, o filho, Cabo Amorim, assumiu o posto ao lado da cadela Moana, hoje com múltiplas certificações e atuação em grandes catástrofes nacionais.


Recentemente, o Cabo Amorim iniciou um novo capítulo do legado com o cão Arraia, vindo do Rio de Janeiro. O Arraia é bisneto do Ice. A Moana, primeiro cão de busca do militar, trabalha com ele há sete anos.


É uma história muito bonita e inspiradora, que me inspirou toda a minha trajetória a ingressar na corporação, e principalmente a ingressar no Serviço de Busca, Resgate e Salvamento com Cães.
O espaço dedicado ao Ice fica entre a Praia do Atalaia e o Bico do Papagaio, em Itajaí, e marca o ponto onde o cão virou presença constante por três temporadas consecutivas.

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