A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta sexta-feira (18), mandados de busca e apreensão contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação incluiu medidas cautelares restritivas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator de inquéritos que investigam suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Entre as determinações, Bolsonaro passará a usar tornozeleira eletrônica e ficará impedido de acessar redes sociais. Além disso, ele não poderá se comunicar com outros investigados no processo, incluindo o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, e nem com embaixadores ou diplomatas estrangeiros. Também foi imposto um recolhimento domiciliar noturno, das 19h às 7h.
Segundo fontes ouvidas por veículos da imprensa, o ex-presidente foi levado ainda pela manhã para instalar o equipamento de monitoramento eletrônico em uma das pernas.
As buscas desta sexta ocorreram em dois principais locais: na residência de Bolsonaro, localizada no bairro Jardim Botânico, em Brasília, e no escritório político que ele mantém dentro da sede do Partido Liberal (PL), legenda pela qual disputou a reeleição em 2022.
Medidas teriam como base risco de articulação internacional
As medidas restritivas impostas pelo STF foram justificadas, segundo apuração preliminar, por um suposto risco de fuga e tentativa de articulação internacional para interferir nas investigações que tramitam na Corte. A carta recente enviada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em defesa de Bolsonaro, aumentou a preocupação das autoridades brasileiras quanto a movimentações internacionais em curso.
No documento, divulgado nas redes sociais na véspera da operação, Trump classificou o julgamento de Bolsonaro como “injusto” e pediu que o processo fosse “parado imediatamente”, além de acusar o Brasil de viver sob um “regime de censura”.
Aliados de Bolsonaro criticam decisão
A operação rapidamente gerou reação nas redes sociais. Parlamentares e apoiadores do ex-presidente classificaram as medidas como abusivas e antidemocráticas. Críticos também chamaram atenção para o momento da ação: ela ocorre menos de 24 horas após a carta de Trump vir a público e em meio ao acirramento da tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, provocada pela tarifa de 50% imposta por Washington sobre produtos brasileiros.
Defesa confirma operação
Advogados do ex-presidente confirmaram que os mandados foram executados pela PF, mas ainda não comentaram oficialmente as medidas cautelares. Até o momento, a defesa não se pronunciou sobre eventual pedido de reconsideração da decisão no STF.
Entenda o contexto
Bolsonaro é réu em um dos inquéritos conduzidos no STF que investigam a tentativa de abalar a ordem democrática após sua derrota nas eleições de 2022. Ele é acusado de ter incitado ou articulado ações contra o resultado do pleito e contra as instituições, especialmente durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Com as novas medidas, o cerco jurídico ao ex-presidente se intensifica, e seu movimento político passa a ter novas limitações operacionais — especialmente no meio digital e nas articulações internacionais.
A reportagem segue em atualização.

