‘Resgatada’: mulher argentina vivia em cárcere privado e estava separada da filha de 3 anos em SC

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Uma operação conjunta entre a Polícia Civil de Santa Catarina e a Polícia Federal resgatou vítimas de exploração sexual e desarticulou um esquema de trabalho análogo à escravidão em São Lourenço do Oeste, no Oeste catarinense, nesta sexta-feira (10). Entre as resgatadas está uma mulher argentina de 22 anos que vivia em situação de cárcere, e cuja filha, de apenas 3 anos, era mantida separada dela como forma de controle. Dois proprietários do esquema foram presos em flagrante.

Segundo as investigações, o grupo criminoso aliciava mulheres com promessas de ganhos elevados. Ao chegarem ao destino, no entanto, as vítimas encontravam uma realidade de exploração sexual e servidão por dívida: eram cobradas abusivamente por itens básicos como alimentação e moradia, acumulando débitos que as mantinham presas ao esquema.

O controle sobre as vítimas era sistemático e violento. Os criminosos retinham documentos e celulares, mantinham vigilância constante por câmeras, utilizavam seguranças para intimidação e recorriam a agressões físicas contra quem tentasse resistir ou fugir.

Mãe em cárcere, filha de 3 anos separada

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes encontraram a mulher argentina de 22 anos vivendo em condições de cárcere privado em um dos endereços. Em outra residência alvo da operação, os policiais localizaram a filha da estrangeira, uma criança de 3 anos que estava sendo mantida afastada da mãe, um mecanismo usado pelo grupo para exercer controle emocional sobre a vítima e impedir qualquer tentativa de fuga.

Mãe e filha foram reunidas e serão encaminhadas para familiares.

A investigação teve origem na Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) da Polícia Civil de São Lourenço do Oeste. Desde 2023, diversas vítimas haviam registrado boletins de ocorrência denunciando o esquema. Em 2025, uma prisão em flagrante impulsionou o avanço das apurações.

Diante da gravidade dos crimes, que incluem tráfico internacional de pessoas, o caso foi remetido à Justiça Federal, e a Polícia Federal passou a atuar no cumprimento dos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em quatro endereços.

Presos por escravidão, tráfico de pessoas e cárcere

A operação contou com o apoio do Ministério Público do Trabalho. Os dois proprietários do esquema foram presos em flagrante e responderão por redução à condição análoga à de escravo, tráfico de pessoas, cárcere privado e lavagem de dinheiro. Eles permanecem à disposição da Justiça Federal.

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