‘LUL22’: juiz de Blumenau que atacava a Lava-Jato é afastado do cargo por suspeita de furto

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O juiz federal Eduardo Appio, que admitiu ter usado a senha “LUL22” em sistemas internos da Justiça Federal e fazia críticas públicas à Operação Lava Jato, foi afastado do cargo após a abertura de um processo administrativo disciplinar no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). O magistrado é investigado pela suposta retirada de duas garrafas de champanhe sem pagamento em um supermercado do Centro de Blumenau.

A apuração começou após o estabelecimento registrar duas ocorrências, em setembro e outubro de 2025, relatando o desaparecimento de garrafas Moët. Nos boletins, o suspeito é descrito como homem idoso que deixou o local dirigindo um Jeep Compass Longitude D. A placa registrada levou a Polícia Civil ao nome de Appio. Imagens do circuito interno e depoimentos de funcionários foram anexados ao inquérito, encaminhado posteriormente ao TRF4.

O magistrado já estava afastado provisoriamente desde outubro, quando o caso se tornou público em reportagem do colunista Ânderson Silva. Antes disso, ele atuava na área previdenciária. Em 2023, chegou a assumir processos da Lava Jato, mas acabou retirado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e, depois, transferido da função.

O TRF4 confirmou a abertura do processo disciplinar e informou que o afastamento está mantido. A Justiça Federal do Paraná declarou que não comentará a investigação. O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, rebateu falas de Appio sobre suposta motivação política e disse não conhecer nenhum delegado candidato pelo União Brasil em 2026.

Appio nega o crime. Em nota, afirmou que o tribunal foi “induzido em erro por um delegado de Blumenau” e classificou a investigação como “fake news política”. Disse confiar na análise do TRF4.

O magistrado ganhou notoriedade ao assumir temporariamente a vara antes comandada por Sérgio Moro, ocasião em que criticou procedimentos da Lava Jato. Na mesma época, admitiu ter utilizado a senha “LUL22”, que, segundo ele, representava um “protesto individual” contra a prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — prisão que seria posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal. Embora negue filiação partidária, o uso da senha gerou questionamentos sobre neutralidade.

A investigação disciplinar segue em andamento sob sigilo. O TRF4 analisa a conduta do magistrado e as circunstâncias dos registros de furto.

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