Um grupo de 15 formandos do curso de Direito da UCEFF, em Chapecó, foi surpreendido ao descobrir que aproximadamente R$ 72 mil arrecadados para a festa de formatura foram desviados pela presidente da comissão e utilizados em apostas online.
O caso veio à tona no dia 27 de janeiro, quando a responsável pela administração dos valores confessou o desvio em uma mensagem enviada ao grupo da turma.
A festa estava marcada para o dia 22 de fevereiro de 2025, mas precisou ser cancelada. Indignados, os alunos registraram um boletim de ocorrência e o caso passou a ser investigado pela 1ª Delegacia de Polícia da Comarca de Chapecó. O delegado Rodrigo Moura afirmou que os agentes estão reunindo provas, colhendo depoimentos e solicitando o rastreamento dos valores desviados para determinar se o crime configura apropriação indébita ou estelionato.

Dinheiro foi utilizado em apostas online
A arrecadação para a formatura ocorreu ao longo de três anos, período em que cada aluno contribuiu com cerca de R$ 5 mil. No total, o orçamento do evento era de R$ 78.992, sendo que R$ 2 mil já haviam sido pagos à empresa responsável pela organização. O restante do valor, R$ 76 mil, foi dividido entre os formandos, incluindo a presidente da comissão, que abriu uma conta bancária em seu nome para administrar os recursos.
Cinco dias antes de revelar o desvio, a responsável publicou imagens da entrega dos convites da formatura, o que fez os alunos acreditarem que o evento estava garantido. Ao confessar o ocorrido, ela alegou que perdeu todo o dinheiro em plataformas de apostas, incluindo o jogo do tigrinho.
Em entrevista ao portal ND Mais, a ex-presidente da comissão de formatura afirmou que sofre de vício em jogos de azar desde 2022. Segundo ela, já chegou a ganhar cerca de R$ 29 mil em uma aposta, mas perdeu tudo ao tentar recuperar valores anteriores. Além do dinheiro da formatura, a suspeita admitiu ter perdido economias da família e o próprio salário. O marido, segundo ela, não tinha conhecimento do vício.
Apesar de ter demonstrado arrependimento e afirmado que pretende responder judicialmente pelo caso, a suspeita disse não ter condições financeiras de ressarcir os formandos.
Investigação em andamento e reações da universidade
A UCEFF informou que não possui envolvimento na organização de cerimônias festivas e que tomou conhecimento do caso em fevereiro de 2025. A instituição declarou que ofereceu suporte jurídico e administrativo aos alunos afetados.
A Polícia Civil segue investigando o caso e pode enquadrar a suspeita nos crimes de apropriação indébita, previsto no artigo 168 do Código Penal, ou estelionato, conforme o artigo 171. Se condenada, ela pode pegar até cinco anos de prisão, além de ser responsabilizada civilmente para ressarcir os prejuízos financeiros causados aos formandos.
Diante da situação, os alunos decidiram adiar a formatura para maio de 2025 e estão buscando alternativas para arrecadar novos recursos. Entre as iniciativas estão a realização de eventos beneficentes e campanhas de financiamento coletivo. O grupo também cobra que a ex-presidente da comissão responda judicialmente pelo desvio.
Recomendações para evitar novos casos
O caso gerou alerta para estudantes e instituições de ensino sobre a segurança na arrecadação de dinheiro para eventos estudantis. Especialistas recomendam que as comissões de formatura criem contas bancárias vinculadas a mais de um responsável e estabeleçam um sistema de prestação de contas periódica e documentada.
Além disso, universidades podem auxiliar na formalização das arrecadações e oferecer orientação financeira para os alunos. Já as autoridades são cobradas para intensificar ações de conscientização sobre os riscos do vício em apostas online e criar regulamentações mais rigorosas para o uso de dinheiro coletivo em eventos estudantis.
