O empresário Jorbel Griebeler, dono da rede Cellshop, uma das maiores lojas de eletrônicos da fronteira entre Brasil e Paraguai, segue foragido da Justiça catarinense. Ele é o principal alvo da operação “Mercado de Pandora”, deflagrada em 16 de setembro pelo Gaeco do Ministério Público de SC. O mandado de prisão contra ele foi expedido dias antes, em 11 de setembro, pela Vara Estadual de Combate ao Crime Organizado, mas não chegou a ser cumprido, segundo revelou a NSC.
Esquema de fraude e sonegação
De acordo com a apuração divulgada pela NSC, a investigação identificou o uso de empresas de fachada, conhecidas como noteiras, que emitiam notas fiscais frias para dar aparência de legalidade à venda de smartphones sem o recolhimento de tributos. Quando descobertas, eram rapidamente desativadas e substituídas por novas, mantendo o ciclo ilícito.
O prejuízo estimado aos cofres públicos catarinenses é de R$ 45 milhões, além de indícios de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e movimentações em criptomoedas.
Operação em quatro estados
Segundo detalhou a Rádio Cultura de Foz, a operação cumpriu 15 mandados de prisão preventiva e 44 mandados de busca e apreensão em residências, escritórios contábeis e empresas. Também foram determinadas 38 ordens de bloqueio de bens de pessoas físicas e 31 de pessoas jurídicas, totalizando R$ 227,6 milhões em valores congelados.
Ainda conforme a emissora paranaense, durante o cumprimento dos mandados uma pessoa foi presa em flagrante por porte de munições de calibre restrito, e também foi apreendido um simulacro de arma de fogo.
As ações ocorreram em cidades de Santa Catarina (Joinville, Mafra, São João Batista e Campo Erê), do Paraná (Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu, Apucarana, Marmeleiro e São Jorge do Oeste), além de São Paulo (capital e Limeira) e Alagoas (Maceió).
Rede criminosa no comércio digital
O Gaeco apontou que a organização criminosa atuava sobretudo em marketplaces, usando empresas “laranjas” para emitir notas fictícias. Depois que alcançavam grandes volumes de vendas, essas empresas eram inativadas e substituídas, dificultando a rastreabilidade e ampliando a sonegação.
Esse mecanismo, segundo as investigações, não apenas gerava prejuízos milionários, mas também criava concorrência desleal no mercado de tecnologia, favorecendo os investigados em detrimento de empresas regulares.
O nome da operação
O título “Mercado de Pandora” remete ao mito da Caixa de Pandora, que, ao ser aberta, liberou males ocultos. No caso, o “mercado” virtual aparentemente legítimo revelou um sistema de fraudes fiscais, dissimulação patrimonial e falsidade ideológica, sustentado por empresas que operavam sob aparência de legalidade.
Apoio nacional
A ofensiva contou com apoio da Fazenda Estadual de SC, da Polícia Científica, do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), da Secretaria Nacional de Segurança Pública e de órgãos parceiros nos estados onde as ordens foram cumpridas.
As apurações seguem sob sigilo, mas o empresário catarinense segue foragido, reforçando o impacto do caso que atinge uma das lojas mais conhecidas da região de fronteira.
Nota de Jorbel Griebeler


