Desembargador do TJSC famoso por enviar cartas para presos é assaltado: ‘minha correntinha foi arrancada’

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Um desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina foi vítima de um roubo no centro de São Paulo e decidiu relatar publicamente o episódio nas redes sociais. O magistrado é João Marcos Buch, conhecido por sua atuação na área penal e por cartas enviadas a presos e familiares durante sua passagem pela Vara de Execuções Penais de Joinville.

No relato, Buch descreve com detalhes o momento do assalto. “Eu e meu marido havíamos acabado de sair do Farol Santander, no centro de São Paulo, e seguíamos em direção ao Copan, passando pela Praça da Sé”, escreveu. Segundo ele, o ataque ocorreu “próximo à chamada ‘rua do ouro’, nas imediações do Teatro Municipal”.

O desembargador conta que sentiu “um puxão por trás, na altura do pescoço” e, ao perceber o que estava acontecendo, entendeu que se tratava “de um grupo de rapazes tentando nos roubar”. Ele afirma que “minha correntinha foi arrancada; a de meu marido também caiu no chão” e que, quando o companheiro tentou recuperá-la, “o grupo ainda investiu de forma intimidatória”.

No texto, Buch reconhece que reagiu ao ataque. “No ímpeto, não recuamos – racional e estatisticamente a vítima nunca deve reagir, eu sei”, escreveu. Ele acrescenta que havia “muitos pedestres e uma viatura da PM na esquina, que nada percebeu”. O episódio terminou com “uma camiseta rasgada e um pequeno hematoma no rosto”.

Apesar do susto, o magistrado afirma que não houve consequências mais graves. “Apesar do susto, não houve ferimentos graves nem perda de bens de valor relevante”, relatou. Sobre o objeto levado, destacou: “Minha correntinha era simples, usada sob a camiseta, e tinha mais valor sentimental do que financeiro”.

Poucos metros após o local do roubo, Buch relata ter se deparado com um painel eletrônico conhecido como “prisômetro”. Ele descreve o equipamento como “um painel online que exibe números de presos em flagrante, foragidos capturados e outras estatísticas” e afirma que “o contraste foi inevitável”.

A partir disso, o desembargador faz uma reflexão direta sobre segurança pública. “Não é com painéis de ‘prisômetro’, tampouco apenas com segurança ostensiva, que superaremos a violência”, escreveu. Ele também comenta o perfil dos autores do crime: “Os assaltantes eram muito jovens, provavelmente menores de 18 anos”.

Na sequência, Buch associa o episódio a questões sociais mais amplas. “Se estivessem na escola, no ensino técnico ou na universidade, com apoio familiar e referências que tornassem possível sonhar com uma vida adulta digna, talvez não estivéssemos relatando mais um episódio de violência no centro de uma grande cidade”, afirmou.

O texto termina com um apelo por uma análise mais profunda do problema. “Precisamos ir além da indignação automática. Precisamos compreender o fenômeno da violência”, concluiu o desembargador.

Até o momento, não há informação sobre registro de boletim de ocorrência ou identificação dos autores do roubo.

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