O desembargador João Marcos Buch, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), afirmou em postagem nas redes sociais que foi alvo de intimidação e ofensas homofóbicas na tarde desta quarta-feira (17), enquanto caminhava com dois assessores pelo Centro de Florianópolis.
Segundo o magistrado, um motorista reduziu a velocidade do carro e teria gritado, em tom agressivo, que “petista não entra no meu Uber”. A frase teria sido repetida três vezes. Ainda de acordo com Buch, o homem também teria dito: “bicha e petista não entram no meu carro”. O desembargador relatou ter se sentido ameaçado e afirmou que o condutor aparentava nervosismo, o que o fez temer até por uma possível agressão física.
“A forma e a maneira com que aquele motorista se dirigiu a mim indicaram que poderia sacar alguma arma e fazer um disparo”, escreveu.
O caso foi registrado com imagem do veículo e relato completo na conta oficial de Buch no Instagram. Ele informou que vai adotar as providências cíveis e criminais cabíveis e também pretende notificar a empresa Uber sobre o episódio.
Projeção nacional e internacional
João Marcos Buch é conhecido por sua atuação voltada à humanização do sistema de justiça penal. Ex-juiz da execução penal, ele tem dedicado a carreira ao debate sobre superlotação carcerária, remição de pena por leitura e políticas de reintegração social. Em março deste ano, foi um dos nomes brasileiros convidados a participar da “Primavera Brasileira” na Universidade Sorbonne Nouvelle, em Paris, onde o documentário “Palavra Presa” – baseado em sua trajetória – foi exibido.
Buch também é colunista no portal Brasil Fora da Caverna e escreve regularmente sobre temas ligados a justiça, direitos humanos e diversidade. Em artigo publicado no Le Monde Diplomatique Brasil, ele classificou o sistema de justiça criminal como excludente e com viés de neutralização de minorias sociais, incluindo a população LGBT+.
A Uber ainda não se manifestou sobre o episódio mencionado pelo desembargador até o momento desta publicação.

