‘Ação fascista’, desabafam comunistas após operação contra invasões em Santa Catarina

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Após o cumprimento de mandados da Operação Incursio, deflagrada nesta quinta-feira (27) pela Polícia Civil e pela Polícia Militar de Santa Catarina, lideranças do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e do partido Unidade Popular (UP) reagiram nas redes sociais com fortes acusações contra o Estado.

Os grupos, que são investigados por invasões de propriedades privadas, uso de violência e instrumentalização de crianças em manifestações, afirmam que a operação teria tido “caráter fascista” e configura uma tentativa de criminalizar movimentos sociais de esquerda.

Denúncias públicas e mobilização em redes sociais

Em publicações no Instagram, a UP de Santa Catarina relatou que teve sua sede invadida e revirada por agentes da polícia. Militantes divulgaram imagens de portas quebradas e cadeados arrebentados, alegando que computadores, celulares e documentos foram apreendidos sem mandado judicial, o que não foi confirmado oficialmente pelas autoridades.

“Trata-se de uma tentativa explícita de fascismo para criminalizar partidos e movimentos populares”, publicou a conta oficial da Unidade Popular em Santa Catarina.

MATÉRIA EXCLUSIVA DA OPERAÇÃO AO FIM DA MATÉRIA.

Já o perfil do movimento Correnteza e de militantes do MLB reforçaram a narrativa de perseguição política e criticaram a atuação do governador Jorginho Mello (PL), acusando a gestão estadual de autoritarismo e criminalização da pobreza.

“Santa Catarina é hoje um laboratório de repressão aos que lutam por moradia. Mas não recuaremos”, escreveu uma militante no Instagram.

Convocação para plenária e reação em cadeia

Em resposta à operação, os grupos organizaram uma plenária de emergência na sede da UP para denunciar publicamente a ação policial e convocar apoiadores e movimentos sociais a se manifestarem contra o que chamam de “criminalização da luta por direitos”.

Entidades como o Sintrasem e o Sintufsc também se posicionaram em defesa da UP e do MLB. Em nota, o Sintufsc afirmou:

“Trata-se de um ataque à organização popular. Não aceitaremos práticas autoritárias que nos lembram os tempos de ditadura”.

Outros vídeos circularam nas redes mostrando militantes denunciando a ação policial e reiterando que a Constituição garante o direito à moradia e à ocupação de imóveis que não cumprem sua função social. A narrativa do grupo foca na defesa do artigo 5º da Constituição e no direito à organização popular.

Polícia não se manifesta, mas operação segue com respaldo judicial

Até o momento, a Polícia Civil e a PMSC não emitiram nova nota oficial sobre as acusações de vandalismo ou abuso de autoridade. No entanto, o relatório técnico que embasou a operação Incursio, ao qual o Jornal Razão teve acesso, aponta que os alvos são investigados por perturbação, invasão de propriedade, uso indevido de crianças em manifestações e tentativa de coação violenta contra eventos públicos.

As ações da quinta-feira ocorreram após autorização do Poder Judiciário e visam reunir provas e avançar nas investigações de crimes já registrados ao longo de 2025.

Apesar da narrativa de perseguição, o relatório policial é enfático ao destacar que as manifestações deixaram de ser pacíficas ao envolver coação, invasão, exigência forçada de doações e exposição de crianças a situações de risco.

Com a repercussão, o caso ganha novos contornos políticos e amplia o embate entre instituições de segurança pública e militantes de esquerda radical no estado.

Santa Catarina se vê, mais uma vez, no centro de uma disputa entre o discurso da legalidade e a acusação de repressão ideológica.

OPERAÇÃO NA DATA DE HOJE:

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