Casal de Florianópolis chefiava esquema de venda de fuzis para o Comando Vermelho, diz polícia

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A Polícia Civil de Santa Catarina prendeu na manhã de terça-feira (16) o casal envolvido em um dos maiores esquemas de tráfico de armas e lavagem de dinheiro da história do estado. A operação, deflagrada pela Draco/DEIC, atingiu em cheio o núcleo financeiro e logístico do Primeiro Grupo Catarinense (PGC), responsável por fornecer armamento pesado para o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro.

Além de Lucas Santos de Oliveira, de 32 anos, carioca e considerado um dos principais líderes da facção catarinense, a polícia também prendeu sua esposa, Leticia Cristina Martins, que foi detida após passar por audiência de custódia. Ela é investigada por participação ativa no esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 280 milhões.

Esquema milionário financiava guerra nas favelas do Rio

Segundo a investigação, iniciada após a Operação Tio Patinhas, o casal usava empresas de fachada para dar aparência legal ao dinheiro obtido com o tráfico de drogas e de armas de guerra. As empresas investigadas incluem:

  • Uma construtora fantasma no bairro Córrego Grande, em Florianópolis
  • Um escritório de consultoria que nunca chegou a funcionar, em São José
  • Dois salões de beleza, um anexo a um posto de gasolina na Trindade, em Florianópolis, e outro em Balneário Camboriú

Esses estabelecimentos serviam como canais para lavar os lucros da facção. Apesar de alguns funcionarem fisicamente e atenderem clientes, as contas bancárias eram utilizadas para ocultar a origem ilícita dos recursos.

Tráfico de fuzis: de SC para as comunidades do RJ

A investigação revelou que fuzis AK-47, AR-15 e AR-10 eram trazidos do Rio Grande do Sul para a Grande Florianópolis, onde eram armazenados antes de seguir para comunidades controladas pelo Comando Vermelho, como o Jardim Catarina e o Complexo da Penha, no Rio de Janeiro.

Essas armas, com alcance de até 800 metros e alto poder destrutivo, eram enviadas em carros particulares, ônibus de turismo ou mesmo como encomendas disfarçadas, por meio de “mulas” contratadas pela facção. O preço médio de cada fuzil chegava a R$ 60 mil.

Função dentro do PGC e articulação com o CV

Lucas ocupava o posto de “disciplina” no PGC, sendo responsável por aplicar punições dentro da estrutura interna da facção, conforme decisões do “tribunal do crime”. Ele também era o principal articulador da aliança com o Comando Vermelho, coordenando o fornecimento de armamento desde 2021.

Leticia Cristina Martins é suspeita de gerenciar parte das movimentações financeiras da organização e de atuar na administração das empresas de fachada.

Operação e bloqueio milionário

A operação coordenada pela Draco cumpriu 10 mandados de busca e apreensão, além das prisões do casal. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e contas no valor de R$ 280 milhões de pessoas físicas e jurídicas investigadas.

Um homem de nacionalidade uruguaia, apontado como um dos principais fornecedores de armas e munições para o PGC, também é alvo da investigação, mas segue foragido.

O que diz a Polícia Civil

Segundo o delegado Antonio Claudio de Seixas Joca, a ação busca “enfraquecer a estrutura financeira da facção catarinense, desarticular a rota de fuzis entre o Sul e o Sudeste, e expor a ligação entre organizações criminosas que atuam em diferentes estados”.

A Polícia Civil reforça que as investigações continuam e que novas fases da operação não estão descartadas. O casal deve responder por organização criminosa, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de dinheiro.

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