“É de arrepiar”: jovem paralisado volta a mexer os pés uma semana após tomar polilaminina em SC

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Uma aplicação da polilaminina devolveu movimento a um jovem paralisado em Santa Catarina em menos de uma semana.

O paciente é Cauan de Lima, 20 anos, morador de Três Barras, no Planalto Norte catarinense. Ele ficou paraplégico após um acidente de moto na véspera do Natal passado, em 24 de dezembro de 2025. Cinco dias depois de receber a substância no Hospital Dom Joaquim, em Sombrio, o jovem conseguiu movimentar, suavemente, um dos pés. Foi a quarta aplicação da substância feita na unidade, administrada pelo Instituto Maria Schmitt (Imas), desde março. No mesmo dia, outro paciente também passou pelo procedimento: Kauan Lori Toledo de Aguiar, 24 anos, morador de Imbituba. Coincidentemente, os dois compartilham o mesmo nome, com grafias diferentes, e sofreram acidentes de motocicleta.

A substância que regenera a medula

A polilaminina é produzida em laboratório a partir da proteína laminina e aplicada diretamente na medula espinhal. O objetivo é estimular a regeneração de conexões nervosas comprometidas por lesões, abrindo uma possibilidade real de recuperação de movimentos em pacientes com paralisia.

A substância foi desenvolvida ao longo de 25 anos pela professora e bióloga Tatiana Sampaio Coelho, do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Laboratório Cristália. Apesar dos resultados considerados promissores em cada novo caso, o tratamento ainda está em fase de pesquisa e depende de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso definitivo em pacientes. As aplicações ocorrem dentro de protocolos de estudo clínico.

O acidente na véspera de Natal

Segundo a mãe do jovem, Eliane Silva, Cauan perdeu o controle da direção ao passar por uma lombada, caiu e bateu em uma cerca. No local, os bombeiros o encontraram consciente, mas sem sentir as pernas.

Já no local, quando os bombeiros foram atender, ele estava caído falando que não sentia as pernas. Meu filho sempre foi um menino ativo, de jogar bola e praticar atividade física. Foi um baque esse acidente para todos nós da família.

Eliane Silva, mãe do jovem

A família foi informada sobre o acidente e o jovem foi transferido em caráter de urgência para o Hospital São Vicente de Paula, em Mafra. A equipe médica da unidade confirmou uma lesão medular completa, o que levou a um quadro de paraplegia. Cauan precisou passar por uma cirurgia para contenção de danos.

A caçada pelo tratamento

Depois da cirurgia de estabilização, a família buscou alternativas para a reabilitação. Foi aí que chegou à polilaminina. A fisioterapeuta Veridiane Nayzer, que acompanha o caso, conseguiu viabilizar o acesso ao procedimento por meio de contato com a equipe médica responsável, apesar de o protocolo inicial do estudo exigir que a aplicação ocorresse dentro das primeiras 72 horas após a lesão — prazo que Cauan já havia ultrapassado.

A aplicação foi feita na última quinta-feira (9), no Hospital Dom Joaquim, em Sombrio, com suporte de uma equipe multidisciplinar liderada pelo médico Angelo Formentin. Cinco dias depois, o jovem, que não tinha sensibilidade nas pernas há meses, voltou a movimentar um dos pés.

É de arrepiar.

Veridiane Nayzer, fisioterapeuta, ao relatar o momento em que o jovem moveu o pé pela primeira vez

Avanço em cadeia em SC

O caso de Cauan se soma a uma série crescente de aplicações bem-sucedidas da polilaminina em Santa Catarina. No início de 2026, um jovem de Jaraguá do Sul voltou a recuperar movimentos das pernas após receber a substância em outra unidade do estado. Antes disso, um jovem que ficou tetraplégico após mergulhar no mar também foi avaliado para o procedimento.

O Hospital Dom Joaquim, em Sombrio, tem se firmado como um dos principais pontos de aplicação da substância no estado, com quatro pacientes atendidos apenas desde março. A cada nova aplicação, o tratamento ganha força como alternativa concreta para a recuperação de lesões medulares.

Até a última atualização, Cauan seguia em processo de reabilitação com acompanhamento profissional. Novas avaliações devem indicar a evolução do quadro nas próximas semanas.

Perguntas frequentes

O que é polilaminina?

É uma substância produzida em laboratório a partir da proteína laminina. Aplicada diretamente na medula espinhal, estimula a regeneração de conexões nervosas em pacientes com lesões medulares.

Quem criou o medicamento?

A substância foi desenvolvida ao longo de 25 anos pela bióloga Tatiana Sampaio Coelho, da UFRJ, em parceria com o Laboratório Cristália.

O tratamento já é liberado pela Anvisa?

Não. A polilaminina ainda está em fase de pesquisa e depende de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para uso definitivo. As aplicações atuais ocorrem dentro de protocolos de estudo clínico.

Qualquer paciente com lesão medular pode receber o tratamento?

Não. O protocolo inicial exige aplicação dentro das primeiras 72 horas após a lesão. Casos fora desse prazo dependem de recomendação e avaliação médica específicas.

Onde o procedimento vem sendo feito em Santa Catarina?

As aplicações acompanhadas pela reportagem ocorrem no Hospital Dom Joaquim, em Sombrio, administrado pelo Instituto Maria Schmitt (Imas).

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