O pré-candidato do PSB ao governo de Santa Catarina, Gelson Merísio, afirmou que o bom desempenho econômico do estado reflete os resultados das medidas adotadas pelo governo federal comandado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A declaração foi feita nesta quinta-feira (16), durante o lançamento da chapa do chamado Campo Democrático, no Hotel Intercity, em Florianópolis. O grupo reúne a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB, PV), além de PSB, PSOL, Rede e PDT.
Eu mudei, por que eles não podem mudar também?
Gelson Merísio, pré-candidato do PSB ao governo de SC
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Um chamado de Lula
Segundo Merísio, a pré-candidatura não partiu de um projeto pessoal estruturado, mas de um pedido direto do presidente da República. O pré-candidato relatou que Lula pediu que assumisse a missão de disputar o governo em um dos estados mais difíceis para o campo da esquerda no país. “Não foi uma conversa, foi uma determinação”, afirmou.
Ao se referir ao petista, o pré-candidato classificou Lula como “um dos cinco maiores líderes globais vivos” e destacou sua capacidade de articulação internacional. A aposta do presidente no nome de Merísio para enfrentar o governador Jorginho Mello (PL) já havia sido noticiada pelo Razão, no início do processo de articulação da chapa.
A fala sobre a economia
No ponto que deu tom ao lançamento, Merísio afirmou que Santa Catarina precisa reconhecer o papel do governo federal no desempenho econômico local. O pré-candidato citou a menor taxa de desemprego da história, a inflação controlada e o aumento da renda das famílias.
“Tem que poder discutir. A economia de Santa Catarina foi bem ou foi mal? Ela foi bem. O próprio governador vive exaltando os resultados da economia, que está uma ilha no Brasil. Então o Brasil foi mal e Santa Catarina foi bem? Não. A economia do Brasil vai bem”, disse.
Em seguida, o pré-candidato cobrou abertura do setor produtivo catarinense ao diálogo com o Planalto. “Por que não pode ser interrogado o empresário de Santa Catarina quais são as queixas que ele tem com relação ao Governo Federal? O que pode ser melhorado? Existe alguma queixa? Ou é só porque é um estado de direita, ou porque o Bolsonaro tem 70% dos votos, que não pode mudar?”, afirmou.
Foi nesse contexto que disparou a frase que ganhou destaque no evento: “Eu concordo com isso. Eu mudei, por que eles não podem mudar também?”
Tom mais ameno
Após oito anos afastado de disputas majoritárias, Merísio se apresentou com perfil diferente daquele que conduziu a campanha de 2018. “Hoje me trago um pouco mais manso, mais maduro, mais compreensivo”, disse, em tom emocionado.
O discurso estendeu o tom respeitoso aos adversários. Sobre o governador Jorginho Mello (PL) e o ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), o pré-candidato afirmou: “Tenho respeito pela história e pelo trabalho deles”. Ressalvou, porém, que fará críticas em áreas como segurança pública e valorização do funcionalismo estadual.
A chapa completa
A chapa apresentada em Florianópolis traz Ângela Albino (PDT) como pré-candidata a vice-governadora. Para o Senado, o Campo Democrático indicou Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL). A oficialização depende das convenções partidárias, previstas para o período entre 20 de julho e 5 de agosto.
Ângela Albino reforçou o discurso de unidade e afirmou que o projeto nasce com o compromisso de ouvir a sociedade. O grupo é considerado o palanque de reeleição de Lula em Santa Catarina e repete a tática de aglutinação de esquerda e centro usada pelo presidente em 2022.
Da direita ao palanque de Lula
Natural de Xaxim, no Oeste catarinense, Merísio tem 60 anos e é empresário. Iniciou a carreira política em 1988 e foi vereador em Xanxerê antes de assumir mandato como deputado estadual em 2005. Presidiu a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) por duas vezes. Disputou o governo em 2018 pelo PSD, com apoio do então governador Raimundo Colombo, e foi ao segundo turno.
Após a derrota, afastou-se das disputas eleitorais, passou a atuar nos bastidores e dedicou-se às empresas e ao cargo de conselheiro da JBS. Em 2022, aproximou-se do PT e coordenou a campanha de Décio Lima ao governo. O Razão mostrou a trajetória de aproximação do pré-candidato com o campo petista, incluindo o histórico de manifestações anteriores em apoio a Jair Bolsonaro.
O cenário nas urnas
Pesquisa AtlasIntel divulgada em 1º de abril apontou Jorginho Mello (PL) com 49,4% das intenções de voto, João Rodrigues (PSD) com 21,4% e Merísio com 13,8%. O detalhamento dos cenários foi publicado pelo Razão.
No levantamento do Instituto Veritá, divulgado em 5 de abril, o pré-candidato do PSB marcou 2,5%, posição inferior aos votos brancos e nulos, que somaram 3,5%. Os dados completos da pesquisa Veritá estão disponíveis em reportagem anterior.
Merísio disse, ainda, que pretende ajudar a melhorar o desempenho eleitoral de Lula em Santa Catarina. A aposta, segundo ele, é a comunicação direta com o eleitor e a apresentação dos resultados do Governo Federal. “O que melhorou na vida das pessoas precisa ser mostrado”, afirmou.
Até a última atualização, a chapa aguarda as convenções partidárias para oficializar as candidaturas. Merísio afirmou que a iniciativa vai além da eleição de 2026. “Estou disposto a participar desse projeto no longo prazo.”
Perguntas frequentes
Quem é Gelson Merísio?
Empresário e administrador natural de Xaxim, tem 60 anos. Foi vereador em Xanxerê, deputado estadual e presidiu a Alesc por duas vezes. Disputou o governo em 2018 pelo PSD, com apoio do então governador Raimundo Colombo, e foi ao segundo turno. Recém-filiado ao PSB, coordenou em 2022 a campanha de Décio Lima (PT) ao governo.
O que é o Campo Democrático em SC?
É a articulação de centro-esquerda para as eleições de 2026 em Santa Catarina. Reúne a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB, PV), PSB, PSOL, Rede e PDT. Funciona como palanque de reeleição de Lula no estado.
Quando são as convenções partidárias?
Conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as convenções que oficializam as candidaturas acontecem entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026.
Quem são os principais adversários de Merísio?
O governador Jorginho Mello (PL), que deve disputar a reeleição, e o ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD).

