‘20 anos é pouco’: MPSC quer aumentar pena de esposa que matou e botou marido em freezer

Share

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) recorreu da sentença que condenou Cláudia Tavares Hoeckler a 20 anos e 24 dias de prisão pelo assassinato do marido, Valdemir Hoeckler, em Lacerdópolis, no Oeste catarinense. O órgão considera a pena branda diante da gravidade do crime e pediu ao Tribunal de Justiça que reavalie a decisão, buscando o aumento da condenação.

O caso ganhou notoriedade nacional pelo método empregado: Cláudia dopou o marido, o asfixiou com uma sacola plástica e manteve o corpo escondido dentro de um freezer por cinco dias, enquanto fingia participar das buscas ao “desaparecido”. Segundo o promotor Rafael Baltazar Gomes dos Santos, a ré demonstrou frieza e manipulação, elementos que, segundo ele, deveriam ter pesado mais no cálculo da pena.

“Ficou comprovado que ela planejou o crime e simulou preocupação para despistar a investigação. Isso evidencia uma personalidade fria e calculista, que mereceria reprimenda mais severa”, afirmou o representante do Ministério Público. O recurso, protocolado em 18 de setembro, também contesta o benefício da confissão espontânea, já que Cláudia só admitiu o assassinato após a descoberta do corpo dentro do eletrodoméstico.

O homicídio ocorreu em novembro de 2022 e rompeu a tranquilidade do pequeno município de pouco mais de 2 mil habitantes, que não registrava assassinatos havia três décadas. O corpo de Valdemir, de 52 anos, foi encontrado amarrado e escondido sob alimentos, após familiares notarem o sumiço e acionarem as autoridades.

Durante o julgamento, realizado no final de agosto, na Câmara de Vereadores de Capinzal, o freezer utilizado no crimefoi levado ao plenário e exibido aos jurados. O tribunal reconheceu a autoria e as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público, mas fixou a pena em 20 anos. A Promotoria entende que o cálculo não considerou de forma adequada as circunstâncias e as consequências do ato, bem como o abalo causado à comunidade e à família da vítima.

Defesa contesta pedido de aumento

A defesa de Cláudia afirma que já apresentou as contrarrazões e mantém confiança na Justiça e na observância das garantias constitucionais. Os advogados alegam que a ré vivia em situação de violência doméstica e agiu em um momento de desespero. Também criticam o que chamam de excesso punitivo por parte do Ministério Público e dizem que esperam que o Tribunal mantenha uma análise humana e proporcional do caso.

O júri popular durou mais de 25 horas e foi interrompido após Cláudia passar mal no plenário. Ela foi atendida por socorristas e retornou no dia seguinte. A acusada foi condenada por homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica, crimes que somaram mais de duas décadas de reclusão em regime fechado.

Agora, o processo segue para o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), que analisará o recurso do Ministério Público e poderá decidir se a pena será mantida ou aumentada.

Read more

Mais notícias da região