Às vésperas do julgamento do homem que matou a própria filha de 1 ano e 9 meses, a mãe da menina Hosana quebrou o silêncio. Em entrevista ao Oeste Mais, Ester Alzira Rodrigues da Silva relembrou com emoção os últimos momentos com a filha, falou sobre o vazio que carrega há quase um ano e pediu por justiça. O júri está marcado para esta sexta-feira (10), em Ponte Serrada, no Oeste de Santa Catarina.
Ester guarda na memória cada detalhe daquela tarde de 25 de maio de 2025. “Eu tinha recém-amamentado ela. Dei de mamar, era uma e quinze da tarde, ele pediu para pegar ela no colo”, recorda. O que veio em seguida mudou a vida de todos. “Quando ele correu para o mato, a gente correu atrás, mas não adiantou.”
Naquele dia, após uma discussão com Ester, Valmir Rodrigo Pegoraro, de 41 anos, fugiu com a filha Hosana Esmeralda Silva Pegoraro para uma área de mata no interior de Abelardo Luz, onde a família residia.
O crime
Hosana foi encontrada morta no dia seguinte, 26 de maio, na linha Copinha, no interior de Vargeão. Valmir confessou que enforcou a menina ainda na noite anterior e tentou tirar a própria vida três vezes usando uma camisa, sem conseguir.
Em uma ligação telefônica feita antes de ser preso, o pai confirmou o assassinato da filha. Alegou como motivação um suposto envolvimento da esposa com um membro de uma facção criminosa da região de Abelardo Luz.
O delegado Rodrigo Dantas, responsável pelas investigações, descreveu uma cena que contrasta com qualquer reação esperada de um pai. “A filha dele permanecia no local, ainda estava pendurada com a corda no pescoço, e ele estava próximo e não esboçou qualquer sentimento ou reação de indignação ou tristeza em relação ao que nós encontramos”, relatou na época.
Segundo Dantas, o homem se mostrava “absolutamente sereno em relação ao crime”. Ainda de acordo com o delegado, o casal vivia um relacionamento conturbado. Valmir já acumulava passagens policiais por injúria, ameaça, descumprimento de medida protetiva, invasão de domicílio, posse irregular de arma de fogo e lesão corporal.
“Tiraram de mim a minha melhor parte”
Ao lado da advogada Silvana Crusaro, Ester falou sobre a saudade que não diminui com o tempo. “Tiraram de mim a minha melhor parte, a minha melhor fase. Era um sonho ser mãe de menina”, desabafa.
Quase um ano depois, a mãe contou que só recentemente conseguiu se desfazer das roupas da filha. “Eu não tinha conseguido. Faz uma ou duas semanas que eu me desfiz”, revela.
Sobre o julgamento, Ester é direta: “Peço que a justiça do homem seja feita, mas que Deus esteja no caminho e seja feita a Dele também.”

