“Quem quer me tirar daqui, não conhece a realidade do parque”: Guardião do Vale fala sobre batalha judicial 

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A escolha de Vilmar Godinho que vive a 36 anos morando no Vale da Utopia na Guarda do Embaú, o colocou no centro de uma disputa que vai além das pedras e da mata: a permanência dele dentro do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, uma das maiores áreas de conservação ambiental de Santa Catarina.

A justificativa para a desocupação é conhecida: Vilmar vive em área de preservação ambiental e, formalmente, sua presença não estaria em conformidade com a legislação que rege o uso do território. Mas é exatamente esse argumento que ele contesta com veemência.

Segundo o Guardião, a realidade vivida dentro do parque é muito diferente daquela descrita nos documentos que embasam a tentativa de retirá-lo. Ele afirma preservar ativamente o local, receber turistas em sua caverna e manter uma relação harmoniosa com os próprios técnicos do parque, aqueles que conhecem de perto o dia a dia da reserva.

Para Vilmar, a decisão de expulsá-lo parte de alguém que desconhece essa realidade. “Quem quer me tirar de lá não sabe o que acontece no parque”, resume o raciocínio que ele tem defendido publicamente.

A batalha judicial não é nova. Em 2016, uma decisão determinou a desocupação da área, com multa diária de R$ 500 em caso de descumprimento. A medida gerou reação imediata: amigos, moradores e apoiadores lançaram a campanha “Deixem o Vilmar em paz”, que ganhou força nas redes sociais e reacendeu o debate sobre o papel de sua presença ou ausência na preservação do local.

Agora, com a liminar suspensa, Vilmar segue onde sempre esteve: na caverna, entre as rochas, de frente para a natureza que diz guardar.

Ele também não deixou de agradecer. O apoio recebido da comunidade local, segundo o próprio Guardião, tem sido fundamental para sustentar sua permanência e dar força à sua causa.

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