“Sonho virou pesadelo”: alunos de Medicina em SC denunciam exclusão no Universidade Gratuita

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O que era pra ser uma oportunidade virou motivo de angústia para estudantes de Medicina em Santa Catarina. Jovens que conquistaram uma vaga no curso mais concorrido do país agora enfrentam um novo desafio: conseguir bancar as mensalidades, mesmo após a criação do programa Universidade Gratuita.

O programa, lançado em 2023 pelo governo estadual, prometia garantir ensino superior gratuito para alunos de baixa renda. Mas, em 2025, muitos acadêmicos, especialmente de Medicina, se dizem desamparados.

Na Uniplac, em Lages, a situação ganhou repercussão após estudantes denunciarem que poucos foram contemplados. Segundo Diogo Miranda, representante da turma de 2025, dos 57 alunos de Medicina, menos de 10 foram selecionados. “A gente percebe que a bolsa não atendeu nem de perto a quantidade de alunos que precisa. Tem colega que vai ter que desistir. É o sonho de uma vida indo embora”, lamentou.

Ele calcula que ao menos 15 colegas correm risco real de abandonar o curso. Todos alegam que não têm condições de arcar com as mensalidades, que estão entre as mais altas do estado.

Universidade rebate críticas

O reitor da Uniplac, Kaio Amarante, afirma que o programa está sendo executado dentro do que foi acordado. “O governo do Estado, por meio do programa criado pelo governador Jorginho Mello, cumpriu integralmente os repasses prometidos”, disse.

De acordo com ele, a universidade recebeu R$ 39 milhões só em 2025. Desse valor, R$ 28 milhões foram usados na renovação de bolsas já existentes, outros R$ 3 milhões ficaram para o antigo programa Uniedu e uma parte foi reservada para alunos com deficiência.

Amarante destacou que o Universidade Gratuita não foi desenhado exclusivamente para Medicina. “Sempre deixamos claro que não é um programa só para Medicina. Ele contempla vários cursos, inclusive Medicina, mas não exclusivamente”, frisou.

Ele também reforçou que nunca houve promessa de benefício para 100% dos alunos. “Nenhuma edição do programa atendeu todo mundo. Isso nunca foi prometido. Até que me provem o contrário, nunca existiu essa garantia”, declarou.

Negociação e alternativas

Diante das dívidas que começam a se acumular, a Uniplac afirma estar aberta a negociar diretamente com os alunos. O reitor citou como exemplo os acordos firmados durante a pandemia, em que mais de 1.200 negociações foram feitas.

Ele também lembrou que há outras oportunidades, como a abertura da FAPES no segundo semestre e bolsas de iniciação científica. Além disso, a coordenação do curso segue dialogando com os alunos e buscando apoio de vereadores e deputados.

Estudantes se mobilizam

Inconformados, os estudantes publicaram um manifesto nas redes sociais da Atlética de Medicina da Uniplac. Eles pedem mais atenção do governo e buscam dar visibilidade ao problema, que, segundo eles, não é exclusivo de Lages, mas atinge várias universidades no estado.

Procurada, a Secretaria de Estado da Educação não respondeu até o fechamento desta matéria. Com informações Evandro Gioppo.

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