Drone flagra “caça aos ovos” inusitada em praia de naturismo em Florianópolis: ‘chocolate na boca’

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Um vídeo feito por drone e publicado pela página @sospraiadagalhetasc flagrou pessoas praticando atos sexuais nas trilhas e na vegetação da Praia da Galheta, em Florianópolis, durante o feriado de Páscoa. As imagens aéreas mostram casais e grupos nus em meio à mata, em áreas de restinga e nos caminhos de acesso à praia.

A gravação é acompanhada de uma narração com tom irônico que compara as cenas a uma “caça aos ovos de Páscoa”. O narrador usa linguagem com duplo sentido ao descrever os flagrantes, dizendo que os frequentadores estavam “com chocolate na boca”, “procurando ovinhos nas tocas” e que na Galheta “a páscoa é o ano inteiro”.

Conforme as imagens, os atos flagrados pelo drone ocorrem fora da faixa de areia, justamente nas trilhas, vegetação e áreas de restinga do Monumento Natural Municipal da Galheta (MONA Galheta), que é uma Unidade de Conservação.

Decisão do TJSC não protege atos sexuais

O flagrante ganha peso porque o Tribunal de Justiça de Santa Catarina concedeu recentemente, por maioria de votos, habeas corpus preventivo que impede prisões por nudez naturista na Galheta, mas exclusivamente na faixa de areia e no mar. A decisão, do processo nº 5084206-42.2025.8.24.0000, ressalva expressamente que trilhas, costões, áreas de vegetação e estacionamentos estão fora da proteção judicial.

O desembargador João Marcos Buch, que proferiu voto favorável ao salvo-conduto, deixou claro que a ordem não configura autorização para atos sexuais em público. O próprio voto diferencia naturismo de promiscuidade, afirmando que o naturismo é uma filosofia pautada no respeito e que seus códigos de conduta proíbem expressamente atos sexuais, assédio e dano ambiental.

Problemas documentados no Plano de Manejo

O Plano de Manejo do MONA Galheta, elaborado pela Prefeitura de Florianópolis, já reconhece os problemas flagrados no vídeo. O documento identifica como ameaças a promiscuidade, especialmente no início da praia, o afastamento de famílias e mulheres, problemas com drogas, a extensão do naturismo para as trilhas e a correlação entre naturismo e turismo sexual.

Conforme reportagem publicada pelo Jornal Razão, perfis nas redes sociais divulgam abertamente vídeos de sexo explícito gravados na Praia da Galheta, vendem conteúdo pornográfico filmado no local em plataformas adultas e usam a praia como ponto de encontro para práticas sexuais coletivas.

“Mapa do sexo” e fiscalização

A vice-prefeita de Florianópolis, Maryanne Mattos, já afirmou publicamente que um documento chamado “mapa do sexo” foi elaborado pela comunidade da Galheta, que flagrou atos sexuais e registrou pontos com lixo, como camisinhas usadas e lenços umedecidos. O documento tem sido usado nas fiscalizações da Secretaria de Segurança e Ordem Pública.

A página @sospraiadagalhetasc, que publicou o vídeo, se apresenta com a descrição “Preservação e respeito” e mantém conteúdo de monitoramento com drones. Em uma de suas publicações, reproduz placa instalada no local que informa que a lei do nudismo foi revogada e que a área é monitorada por drone e agentes locais.

Legislação em tramitação

Na Câmara de Florianópolis, o Projeto de Lei 19.423/2024 prevê que a nudez naturista seja permitida somente na faixa de areia e no mar, vedada nas trilhas, costões e áreas de vegetação. Na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, o deputado Jessé Lopes (PL) protocolou projeto para proibir o nudismo em todas as praias do estado, com multa de R$ 5 mil duplicada a cada reincidência.

A Justiça de SC deu prazo para que a Prefeitura de Florianópolis publique oficialmente o Plano de Manejo da Galheta, sob pena de multa diária de R$ 5 mil, atendendo pedido do Ministério Público.

Florianópolis conta com 42 praias, sendo a Galheta a única historicamente associada ao naturismo, representando 2,4% do litoral da capital catarinense.

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