‘Vai morrer, vagabunda’: enquanto UFSC ataca a PMSC, bandidos armados assaltam estudantes

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Na noite de terça-feira (8), por volta das 21h50, duas estudantes foram vítimas de um roubo à mão armada dentro da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. O caso ocorreu nas proximidades da saída pela Carvoeira, uma das áreas mais movimentadas do campus, próxima ao Colégio de Aplicação.

As vítimas relataram à Polícia Militar que foram abordadas por dois homens em uma motocicleta vermelha. Um dos bandidos sacou uma arma e ordenou que elas não corressem. Em pânico, as duas tentaram fugir em direções opostas.

Uma delas foi alcançada pelo carona, que a derrubou no chão com uma rasteira, colocou uma arma em sua cabeça e disse: “Vai morrer, vagabunda.” Em seguida, levou sua bolsa, que continha um iPhone 12 mini e materiais escolares. A estudante ficou ferida e precisou de atendimento médico.

Os criminosos fugiram sentido Avenida Lauro Linhares. Até o momento, ninguém foi preso. A guarnição da 4ª Companhia do 4º BPM (VTR-5632) realizou buscas nas imediações, mas não localizou os autores.

O episódio reacendeu o debate sobre a segurança dentro do campus da UFSC, especialmente diante da política da Reitoria e do Diretório Central dos Estudantes (DCE), que são contrários à presença permanente da Polícia Militar dentro da universidade.

Enquanto a PM reforça o patrulhamento externo, representantes estudantis e a gestão da UFSC defendem que a segurança deve ser feita por vigilantes contratados, sem policiamento ostensivo.

O local do crime — a saída pela Carvoeira — é frequentemente citado por estudantes como um dos pontos mais perigosos da universidade, com iluminação precária e registros anteriores de assaltos.

O caso ocorre poucos dias após a UFSC divulgar um relatório acadêmico em parceria com a Udesc sobre “violência policial em Florianópolis”.

O relatório apresenta uma visão crítica e predominantemente negativa sobre a atuação policial em Florianópolis, com base em depoimentos de moradores de comunidades da Grande Florianópolis. A pesquisa, conduzida entre 2021 e 2024, ouviu 115 pessoas em rodas de conversa organizadas por professores e estudantes ligados ao Instituto Memória e Direitos Humanos, núcleo conhecido por pautas de viés ideológico alinhado à esquerda acadêmica.

O documento retrata a polícia como símbolo de opressão estatal, ignorando o papel essencial das forças de segurança na defesa da população e no combate à criminalidade. Em diversos trechos, os relatos classificam as operações policiais como violentas, mas não há menção ao contexto da atuação — como a presença de facções criminosas, tráfico de drogas ou confrontos armados.

Ao colocar o Estado apenas como agente de repressão e não como garantidor da ordem, o relatório reforça uma narrativa ideológica que enfraquece a confiança na polícia e deslegitima o trabalho dos agentes, que diariamente arriscam a vida para proteger a sociedade. O conteúdo surge em um momento em que cresce a sensação de insegurança até dentro da própria universidade — o que torna ainda mais controversa a postura da instituição ao priorizar discursos contra a polícia enquanto estudantes são vítimas de crimes dentro do campus.

A Reitoria da UFSC ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. A Polícia Militar informou que mantém as buscas e orienta a comunidade a acionar o 190 em qualquer situação de risco.

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