O caso que mobiliza Tijucas (SC) desde o fim de semana ganhou novos desdobramentos nesta segunda-feira (15). Uma mãe denunciou um suposto abuso sexual envolvendo sua filha de apenas quatro anos, aluna da Escola Municipal Manoel dos Anjos, e o episódio gerou forte comoção na cidade, motivando protesto em frente à unidade escolar e ampla repercussão nas redes sociais.
Segundo a mãe, a filha voltou para casa com machucados na região íntima e teria relatado que foi levada ao banheiro por uma professora, junto com outra colega. O boletim médico emitido pelo Hospital de Tijucas aponta “problemas relacionados com abuso físico alegado da criança”, baseado no relato da família. Diferente do que tem sido afirmado, não há nenhum laudo feito pelo Hospital de Tijucas que comprove abusos.

Conforme é o procedimento padrão em casos do tipo, após o atendimento a menina foi encaminhada ao Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, onde realizou exames detalhados. Em ligação ao Jornal Razão ainda durante o sábado, a mãe afirmou que já teria um laudo do IGP detalhando o suposto abuso. Todavia, não nos enviou cópia do referido laudo, tampouco respondeu aos questionamentos que fizemos desde então.

A mãe também afirma que a filha reconheceu a suposta autora em uma fotografia e mencionou outra aluna que também teria sido vítima. O vídeo em que ela relata o ocorrido tem sido amplamente compartilhado nas redes sociais, gerando grande mobilização popular. Uma manifestação foi marcada para esta segunda-feira (15), às 7h30, em frente à escola, com apoio de grupos comunitários e familiares da criança.
No entanto, informações oficiais da Prefeitura de Tijucas e da Secretaria Municipal de Educação colocam em dúvida a principal suspeita levantada até o momento.

Professora citada está afastada há dois meses
A profissional mencionada pela mãe e apontada nas redes sociais como suspeita está afastada de suas funções desde julho por motivo de saúde. De acordo com a Secretaria de Educação, a professora passou por cirurgia e não frequenta a escola há mais de dois meses, além de estar fora de Tijucas há vários dias, conforme apuração do Jornal Razão.

Mesmo assim, seu nome tem sido divulgado indevidamente em redes sociais e até em supostas mensagens de outros profissionais, levantando acusações sem comprovação. A Prefeitura alerta para a responsabilidade na divulgação de informações sensíveis, especialmente em um caso tão grave, envolvendo uma criança.
Cabe destacar que o Jornal Razão já auxiliou na prisão de estupradores e pedófilos em todo o estado de Santa Catarina, sobretudo em Tijucas, inclusive posteriormente culminando na morte de alguns deles dentro do Sistema Prisional Catarinense. Todavia, não compactuamos com acusações infundadas e que possam por em risco a integridade física de inocentes.

Criança não esteve na escola na sexta-feira
Outro ponto importante confirmado pela administração municipal é que a criança não compareceu à escola na sexta-feira (12). A informação foi repassada pela diretora da unidade ao prefeito Maickon Sgrott, que esteve pessoalmente na escola nesta manhã, acompanhado da equipe de gestão. Uma fotografia que mostra todos os alunos em dinâmica de classe comprova que a menina não estava lá, assim como também consta sua falta no registro de ‘chamada’ da turma.
“Já tivemos reunião com a diretora e com toda a equipe administrativa. Estamos com a lista dos profissionais que estiveram em contato com a criança até quinta-feira à tarde, já que ela não veio na sexta. Esses nomes foram encaminhados ao delegado da comarca, doutor Danilo, que prontamente se colocou à disposição para iniciar as oitivas com todos os envolvidos”, afirmou o prefeito.

Linha do tempo do caso
? Quinta-feira (11/09/2025)
- A menina de 4 anos foi à escola normalmente no período da tarde.
- Segundo o relato da mãe, teria sido nesse dia que o suposto abuso ocorreu.
- A criança não relatou nada aos pais naquele momento.
? Sexta-feira (12/09/2025)
- A criança não foi à escola neste dia, conforme confirmado pela direção da unidade.
- Durante o dia, começou a reclamar de ardência e dor na região íntima.
- A mãe imaginou que fosse irritação causada pelo uso de fraldas e pediu para uma familiar passar pomada.
- Mais tarde, ao dar banho na filha, percebeu que havia machucados, inchaço e ferimentos incomuns.
- Ao ser questionada, a menina teria respondido: “Foi a professora”.
Madrugada de sexta para sábado (13/09/2025)
- A família levou a menina ao Hospital de Tijucas.
- Um boletim médico foi emitido com a observação: “abuso físico alegado da criança”, conforme relato feito ao pai.
- A Polícia Militar foi acionada e compareceu ao hospital.
- O Conselho Tutelar, segundo a mãe, não compareceu e teria alegado que não era necessário.
- A criança foi encaminhada para o Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis.
? Sábado (13/09/2025)
- A mãe gravou um vídeo emocionado contando o que teria ocorrido com a filha.
- O vídeo foi compartilhado em grupos de WhatsApp e redes sociais.
- Segundo a mãe, a filha reconheceu a suposta agressora em uma foto e citou o nome de outra coleguinha que também seria vítima.
? Domingo (14/09/2025)
- Mensagens começaram a circular nas redes sociais com acusações e nomes de supostas envolvidas.
- Uma das professoras citadas está afastada desde julho e não frequenta a escola há mais de dois meses.
- Informações confirmadas pela Secretaria de Educação.
- Grupos comunitários marcaram uma manifestação para segunda-feira (15), às 7h30.
? Segunda-feira (15/09/2025)
- O prefeito Maickon Sgrott esteve pessoalmente na escola, acompanhado da equipe da Secretaria de Educação.
- A direção confirmou oficialmente que a criança não esteve na escola na sexta-feira.
- A lista de profissionais foi entregue à Polícia Civil da comarca.
- O prefeito anunciou instalação de câmeras nas áreas comuns das escolas.
Sgrott destacou que a condução do caso agora é responsabilidade da Polícia Civil, que tem autonomia legal para apurar os fatos com isenção e rigor técnico. “Se há um relato por parte da mãe, isso precisa ser investigado. Mas precisamos ter responsabilidade e aguardar a conclusão da investigação antes de qualquer julgamento.”
Câmeras em áreas comuns das escolas
Durante a fala, o prefeito também revelou que o município vai instalar câmeras de segurança nas áreas comuns de todas as unidades escolares — como corredores, entradas, saídas e pátios — apesar da proibição legal de instalação dentro das salas, conforme decisão recente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
“A sociedade exige respostas. Se a Justiça não permite nas salas, nós vamos agir dentro do que é permitido. As câmeras nas áreas comuns vão nos permitir entender a dinâmica de qualquer situação que ocorra no ambiente escolar”, concluiu o prefeito.
Investigação segue em sigilo
A Polícia Civil da Comarca de Tijucas já recebeu os nomes dos profissionais que atuaram na unidade até quinta-feira e deve iniciar as oitivas ainda nesta semana. A Prefeitura instaurou um procedimento administrativo disciplinar e informou que novas medidas serão tomadas conforme o avanço das investigações.

