Motoristas foram surpreendidos nesta sexta-feira com o fechamento do Contorno Viário da Grande Florianópolis, em Palhoça, após funcionários que atuam na manutenção da rodovia bloquearem o trecho em protesto por falta de pagamento de salários, segundo relatos feitos no local.
O ato ocorre em uma obra que se tornou símbolo de atraso e alto custo em Santa Catarina. O Contorno Viário levou 12 anos além do prazo inicialmente prometido e teve investimento final de cerca de R$ 3,9 bilhões, conforme dados divulgados por órgãos oficiais e pela concessionária responsável, representando um aumento superior a 800% em relação ao valor inicialmente previsto.
Mesmo após a inauguração, trabalhadores afirmam que estão sem receber salários, o que motivou a paralisação. Imagens e vídeos divulgados nas redes sociais mostram longas filas de veículos e motoristas parados sob o sol, o que gerou revolta e reacendeu o debate sobre o direito de ir e vir.
O bloqueio foi registrado no km 23 do Contorno Viário, em Palhoça. Por volta das 11h, após negociação no local, uma faixa foi liberada em cada sentido, permitindo o fluxo parcial de veículos enquanto o protesto seguia nas margens da rodovia.
Nas redes sociais, parte dos comentários cobra que a manifestação ocorra em frente à sede da concessionária Arteris, e não na estrada. Outros defendem os trabalhadores, alegando que o bloqueio seria a única forma de dar visibilidade ao problema.
Até o momento, a Arteris Litoral Sul não divulgou posicionamento oficial detalhando a situação dos salários nem informou previsão para a normalização completa do tráfego. A Polícia Rodoviária Federal acompanha a ocorrência, orienta os motoristas e atua para garantir a segurança no trecho.
Apresentada como solução para desafogar a BR 101, a obra volta ao centro do debate público não pelo fluxo de veículos, mas por um novo impasse envolvendo trabalhadores, concessionária e usuários da rodovia.

