Protesto do PT em SC acusa PM de genocídio e pede punição a policiais do Rio

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Manifestantes ligados a partidos de esquerda e movimentos sociais foram às ruas de Florianópolis nesta sexta-feira (31) para protestar contra a operação policial no Rio de Janeiro que deixou mais de 130 mortos. O ato, convocado por lideranças do PT e de grupos socialistas, teve como principal bandeira o pedido de “desmilitarização da polícia” e o fim do que chamaram de “genocídio do povo preto”.

Durante as falas no centro da capital, os manifestantes afirmaram que o Estado seria responsável por uma política de extermínio nas periferias. “A polícia mata pessoas, mata crianças, mata mulheres, assedia e estupra. É o maior genocídio que esse Brasil já viu”, disse uma das participantes, sob aplausos do grupo.

Outros discursos atacaram diretamente a atuação das forças de segurança. “Eles querem criminalizar jovens que não têm política pública, que não têm educação, que não têm moradia. Querem que o crime seja a única saída para sobreviver”, declarou outro manifestante, segurando uma faixa com os dizeres “federalização já”.

Houve também críticas direcionadas à imprensa catarinense. Um dos participantes afirmou: “Vocês filmam a gente e colocam como comunistas, como bandidos, como se a gente fosse inimigo. Mas o verdadeiro inimigo é quem oprime o povo”. Outra mulher complementou: “Quando a polícia mata aqui em Santa Catarina, vocês não mostram. Vocês vendem um sonho que não existe. Só mostram o que convém.”

Em diversos momentos, os manifestantes repetiram frases contra a Polícia Militar. “A gente não quer militarização, a gente não quer genocídio. A gente quer viver”, gritou um grupo. Outros ecoaram palavras mais fortes: “Viva a guerra contra o fascismo. A guerra é nossa.”

Alguns discursos ainda pediram punição aos responsáveis pela operação no Rio. “Mesmo que existam criminosos, a lei não permite matar. Cadê a inteligência policial que não age sem derramar sangue?”, questionou uma das organizadoras do ato.

As críticas também se voltaram à sociedade. “Tem que morrer mais de 130 pretos favelados pra galera acordar? Pra descer pra rua e protestar?”, disse um jovem ao microfone. “Nosso povo é criminalizado desde que nasce. É assassinado sem direito à comida, sem casa, sem educação. Quando desce pra procurar emprego, é preso por ser negro.”

O protesto ocorreu de forma pacífica, acompanhado pela Polícia Militar, que não registrou ocorrências. Segundo os organizadores, a manifestação buscou “dar voz aos que não têm voz” e “denunciar o silêncio cúmplice do Estado”.

Representantes dos movimentos afirmaram que novos atos devem ser convocados caso o governo federal não determine a investigação da operação. “A gente tá cansado de morrer calado. Se o Estado não ouve, o povo vai gritar nas ruas”, concluiu uma das líderes do ato.

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