“Não consegui dizer não”: adolescente denuncia professor após transar dentro de escola em SC

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Um professor de 42 anos é investigado pela Polícia Civil por suspeita de manter relações sexuais com uma aluna de 16 anos dentro de uma escola estadual de Brusque, no Vale do Itajaí. Conforme apurou o Jornal Razão, o caso envolve a Escola de Educação Básica Monsenhor Gregório Locks, no bairro Dom Joaquim, e os fatos teriam ocorrido em dezembro de 2025, mas só vieram à tona nesta segunda-feira (30), quando a jovem procurou a direção do colégio para relatar o que havia acontecido.

Conforme a denúncia registrada pela direção da escola, a adolescente relatou que o professor, que na época atuava como assessor de direção, se aproveitou de uma relação de confiança construída ao longo de anos para se aproximar sexualmente da estudante. A Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente e Mulher (DPCAM) abriu um inquérito para investigar o caso, que tramita em segredo de justiça.

Relação de confiança desde a 6ª série

Segundo apuração do Jornal Razão, a adolescente conhecia o professor desde a 6ª série, quando ele era seu professor de matemática. Ao longo dos anos, o docente teria se tornado uma espécie de conselheiro da jovem, ajudando-a com problemas pessoais e questões acadêmicas. Essa proximidade, conforme a estudante, criou um vínculo de confiança que foi determinante para o desfecho.

A adolescente afirmou que cedeu às investidas do professor porque sentia que lhe devia um favor. “Não conseguiu, dado o contexto de confiança e senso de retribuição, dizer que não queria aquilo”, consta no relato registrado pela direção da escola.

Sexo na secretaria e em sala de aula

O primeiro contato físico aconteceu no dia 10 de dezembro de 2025, durante a confraternização de fim de ano da turma. Na ocasião, a estudante foi até a secretaria da escola para tratar de assuntos acadêmicos com o professor. Conforme o relato obtido pela reportagem do Jornal Razão, ele teria puxado a jovem contra o seu corpo, e os dois trocaram um beijo e carícias.

No dia 12 de dezembro, a adolescente foi guardar uma chave na sala do assessor e os dois tiveram relação sexual. Já no dia 15 de dezembro, conforme relatado pela jovem à direção, o professor teria deixado uma sala de aula aberta propositalmente para que os dois se encontrassem. Os dois haviam combinado o encontro, e tiveram relações sexuais novamente.

A estudante também relatou que em nenhum momento houve uso de preservativo nos encontros. Após repensar o ocorrido, a jovem ficou com medo de uma possível gravidez e comprou uma pílula do dia seguinte por conta própria.

Aluna passou a evitar o professor

Após os eventos de dezembro, a adolescente relatou que começou a repensar o que havia acontecido e percebeu que não queria ter se relacionado sexualmente com o ex-professor. A partir desse momento, passou a evitar qualquer contato com o docente, inclusive desviando o caminho dentro das dependências do colégio para não cruzar com ele.

De acordo com informações apuradas pelo Jornal Razão, a aluna contou o ocorrido para alguns colegas de turma, que a alertaram sobre a gravidade da situação. Somente no dia 30 de março de 2026, quase quatro meses depois dos fatos, a adolescente procurou a direção da escola para fazer o relato formal. A gestão do colégio realizou a escuta da aluna e acionou o pai da estudante e as autoridades.

Relatos nas redes sociais apontam histórico de comportamento inadequado

Após a repercussão do caso nas redes sociais, dezenas de comentários de pessoas que se identificam como ex-alunos e ex-alunas do professor passaram a relatar situações anteriores envolvendo o docente. Segundo os relatos acompanhados pela equipe do Jornal Razão, o professor teria um padrão de comportamento inadequado com alunas ao longo dos anos.

Conforme comentários que circulam nas redes, ex-alunas afirmam que o professor fazia piadas de cunho sexual dentro de sala de aula e que tinha o hábito de chamar meninas para sua sala durante o recreio, sob o pretexto de ajudá-las com “problemas mentais”. Outros relatos indicam que, em cada turma, o professor “tinha uma favorita” entre as alunas.

Ainda conforme a apuração do Jornal Razão, já havia boatos sobre o comportamento do professor desde 2023, quando ele teria tentado concorrer ao cargo de diretor da escola. Conforme os comentários, os rumores teriam sido um dos fatores para que ele não conseguisse a posição na época.

Uma das publicações com maior repercussão aponta que se trata de “um adulto que manipulou uma menor de idade a ter relações sexuais com ele“, destacando que o professor seria casado e pai de filhos. Outros comentários alertam que o caso exemplifica um padrão de aproximação gradual, quando um adulto constrói confiança com uma criança ou adolescente para depois explorá-la sexualmente.

Secretaria de Educação confirma afastamento

Em nota enviada à reportagem do Jornal Razão, a Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina informou que o professor não atua mais na unidade escolar e que realizou os procedimentos necessários assim que teve conhecimento do caso. Segundo a direção da escola, o docente havia deixado a função de assessor e retornado à sala de aula como professor de matemática antes da denúncia ser formalizada.

O caso segue sob investigação da DPCAM e tramita em segredo de justiça. A identidade da adolescente é preservada por se tratar de menor de idade, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O Jornal Razão acompanha o caso e publicará atualizações.

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