No município de Vargeão, no Oeste de Santa Catarina, uma história de dedicação e superação tem chamado a atenção. Aos 39 anos, Gislaine Alves dos Santos tornou-se a primeira mulher a assumir a função de motorista de ambulância na cidade, cargo que ocupa há pouco mais de um ano.
Natural de Faxinal dos Guedes, mas criada em Vargeão, Gislaine acumula cerca de 15 anos de experiência na direção de veículos. Antes de chegar ao serviço de emergência, ela passou por diferentes atividades profissionais, incluindo o transporte de material biológico e também a condução de caminhões.
A oportunidade de trabalhar na ambulância surgiu quando o município abriu concurso público para a função. Determinada a conquistar a vaga, ela se preparou com dedicação e conseguiu a primeira colocação no processo seletivo, garantindo o posto que sempre desejou.
“Hoje estou exercendo a profissão que sempre sonhei”, afirmou.
A rotina de trabalho exige responsabilidade constante. Atualmente, quatro motoristas se revezam no atendimento das ambulâncias, atuando em sistema de plantão para atender a população. As viagens são frequentes para cidades da região, como Chapecó, Xanxerê e Joaçaba.
Além dos deslocamentos regionais, também são realizadas viagens mais longas para atendimentos de Tratamento Fora de Domicílio (TFD), que podem levar pacientes até municípios mais distantes, como Florianópolis, Joinville e Brusque.
Os plantões duram uma semana inteira. Cada profissional assume a ambulância de segunda-feira, às 7h, até a segunda-feira seguinte, permanecendo disponível para atendimentos no posto de saúde e no hospital durante o dia, além de emergências que possam ocorrer durante a noite.
Mesmo realizando um trabalho que considera gratificante, Gislaine relata que um dos maiores desafios enfrentados diariamente está no trânsito.
Segundo ela, muitos motoristas ainda não respeitam a prioridade das ambulâncias nas vias, o que pode colocar em risco o atendimento de pacientes em estado delicado.
“Às vezes estamos com um paciente que precisa de atendimento urgente e algumas pessoas não abrem passagem. Ali atrás está alguém que depende de minutos para receber ajuda, alguém que tem família esperando por ele”, comentou.
Apesar das dificuldades, a motorista afirma que também vive momentos marcantes na profissão. O contato constante com pacientes e familiares acaba criando vínculos que ultrapassam a rotina de trabalho.
Em muitos casos, ela acompanha todo o processo de tratamento das pessoas transportadas, desde o início até a recuperação. Em outras situações, infelizmente, também presencia perdas, o que torna o trabalho ainda mais sensível.
O interesse pela estrada surgiu ainda na infância. Filha de caminhoneiro, Gislaine cresceu convivendo com viagens e com o movimento das rodovias. Desde pequena, o som das sirenes de ambulâncias despertava curiosidade e emoção.
Hoje, ao olhar para a própria trajetória, ela se orgulha de ter alcançado o objetivo que parecia distante na infância.
“Eu sempre me perguntava se um dia conseguiria estar ali. Hoje, sendo a primeira mulher do município a dirigir uma ambulância, sinto muito orgulho”, contou.
Para Gislaine, sua história também representa um incentivo para que outras mulheres ocupem diferentes espaços profissionais.
Ela acredita que dedicação, estudo e coragem são fundamentais para alcançar objetivos, independentemente da área escolhida.
“Quero dizer para outras mulheres que estudem, se preparem e tenham coragem de buscar seus sonhos. Somos capazes de atuar em qualquer profissão”, concluiu. Com informações do portal Oeste Mais.

