Preso no Pará criminoso que torturou e matou quatro jovens mineiros em Florianópolis

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A Polícia Civil prendeu nesta quarta-feira (25) Lucas Silva Araújo, apontado como autor da tortura e execução de quatro jovens encontrados mortos na Grande Florianópolis no início de janeiro. A prisão aconteceu em Icoaraci, distrito da Região Metropolitana de Belém, no Pará, onde o criminoso estava foragido.

Conforme as autoridades, Lucas é natural do Rio de Janeiro, integrava o PGC (Primeiro Grupo Catarinense) e atuava na comunidade Chico Mendes, em Florianópolis. Ele responde por tortura, sequestro, homicídio e ocultação de cadáver. Após os crimes, fugiu para o Norte do país com apoio do Comando Vermelho, facção aliada ao PGC. O criminoso foi apresentado na Divisão de Homicídios de Belém pelo delegado Bruno Henrique.

A investigação aponta que Lucas desconfiou que os quatro jovens fossem integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), principal rival do PGC em Santa Catarina. Segundo a apuração, ele teria ordenado e participado diretamente das sessões de tortura antes de executar as vítimas. Os corpos foram enterrados em uma área de mata em Biguaçu, usada como cemitério clandestino pela facção catarinense.

Quem eram as vítimas

As vítimas eram Bruno Máximo da Silva, 28 anos, Daniel Luiz da Silveira, 28, Guilherme Macedo de Almeida, 20, e Pedro Henrique Prado de Oliveira, 19. Três eram naturais de Minas Gerais e um de Araraquara, em São Paulo. Eles moravam juntos em São José, na Grande Florianópolis, e trabalhavam como garçons. Segundo as famílias, os jovens estavam no estado em busca de oportunidades de trabalho e não tinham envolvimento com facções criminosas.

O desaparecimento ocorreu na madrugada de 28 de dezembro de 2025. Na noite anterior, os quatro saíram para um bar no Centro de Florianópolis. Câmeras de segurança registraram o grupo caminhando junto por volta das 2h da madrugada. Depois disso, não houve mais contato. O apartamento onde moravam foi encontrado destrancado horas depois.

Confundidos com integrantes do PCC

A principal linha de investigação, revelada com exclusividade pelo Jornal Razão ainda durante o período de desaparecimento, apontou que os jovens foram confundidos com integrantes do PCC. A suspeita teria surgido após membros do PGC identificarem gestos em fotos antigas nas redes sociais dos rapazes, interpretados no meio criminoso como referência à facção paulista.

O contexto do crime está diretamente ligado a um episódio ocorrido horas antes do desaparecimento. Na noite de 27 de dezembro, dois homens armados ligados ao PCC invadiram a comunidade Novo Horizonte, no bairro Capoeiras, em Florianópolis, território controlado pelo PGC. A ação foi uma tentativa de execução e demonstração de força. A PMSC prendeu dois suspeitos em flagrante e apreendeu pistolas calibre 9mm. A execução dos quatro jovens, conforme a investigação, foi uma retaliação direta do PGC a esse ataque.

Corpos encontrados em cemitério clandestino

Os corpos foram localizados em 3 de janeiro de 2026, no Morro do Melado, bairro Fundos, em Biguaçu, por equipes do Batalhão de Choque e do 24º BPM. As vítimas estavam amarradas, com sinais de espancamento, tortura e mutilação. Conforme informações apuradas, os jovens tiveram os cabelos raspados e as cabeças envoltas em lençóis. A Polícia Científica foi acionada e confirmou a identidade das vítimas por meio de laudos periciais.

Morte do “Tio Sam” em janeiro

Em 16 de janeiro, outro desdobramento marcou o caso. Antonio Anderson da Silva de Oliveira, de 30 anos, conhecido como “Tio Sam”, foi morto em confronto com a Polícia Civil em Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina. Ele era apontado como um dos líderes do PGC à frente dos sequestros e homicídios na Grande Florianópolis, incluindo a chacina dos quatro jovens. Segundo o delegado Anselmo Cruz, da Delegacia de Roubos e Antissequestro, “Tio Sam” possuía dois mandados de prisão em aberto, condenações por homicídio e tráfico de drogas, e havia cumprido quase dez anos de prisão.

Investigação segue em andamento

Com a prisão de Lucas Silva Araújo no Pará, a investigação alcança mais um dos envolvidos diretamente na execução. O caso expôs a guerra entre PGC e PCC pelo controle territorial em Santa Catarina, conflito que já resultou em dezenas de mortes nos últimos anos. A região da Chico Mendes e comunidades vizinhas vivem sob tensão desde o início dos anos 2010, quando o PGC passou a exigir alinhamento formal dos traficantes locais e o PCC avançou oferecendo armas e estrutura aos dissidentes.

A Polícia Civil de Santa Catarina segue com diligências para identificar e prender outros envolvidos na chacina. As investigações apontam que mais pessoas participaram do sequestro, tortura e execução dos jovens. O caso segue sob acompanhamento da Delegacia de Roubos e Antissequestro e conta com cooperação interestadual entre as polícias de Santa Catarina e do Pará.

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