Um líder de facção criminosa do Pará que usava Florianópolis como esconderijo foi preso nesta quinta-feira (26) pela Polícia Rodoviária Federal em Lavrinhas, no interior de São Paulo. Maxwell de Aquino Fonseca, conhecido como “Max Louco”, deixou a capital catarinense na noite anterior com destino ao Rio de Janeiro, onde pretendia buscar abrigo em comunidades dominadas pela facção.
A prisão foi resultado de um trabalho conjunto entre as FICCOs do Pará e de Santa Catarina, a agência de inteligência do 21º BPM da Polícia Militar de Santa Catarina e a PRF. Conforme as investigações, “Max Louco” exercia o cargo de “idealizador de missões” da organização criminosa na região de Marapanim, no Pará, sendo responsável pelo planejamento e execução de ações violentas, incluindo atentados contra agentes da segurança pública.
48º preso na Operação Coalizão pela Paz
Com a prisão de hoje, já são 48 mandados de prisão preventiva cumpridos na 4ª fase da Operação Coalizão pela Paz, que tem como alvo uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho especializada em tráfico de drogas, extorsões e atentados contra policiais no Pará. Somente nesta fase, foram expedidos 104 mandados judiciais pelo Tribunal de Justiça do Pará, com diligências em ao menos oito estados.
A operação é conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Pará (FICCO/PA), uma força-tarefa composta por Polícia Federal, Polícia Civil do Pará e Secretaria de Administração Penitenciária, com apoio do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Pará.
Santa Catarina na rota de fuga do crime organizado do Norte
A prisão de “Max Louco” reforça um padrão que vem se repetindo desde o início da Operação Coalizão pela Paz: lideranças do Comando Vermelho do Pará escolhem cidades de Santa Catarina como esconderijo. Em todas as quatro fases da operação, ao menos um alvo de alto escalão da facção foi localizado em território catarinense.
Na 1ª fase, em outubro de 2025, um homem identificado como “F20” foi preso no bairro Cedro Alto, em Brusque. Conforme a investigação, ele era o responsável por levantar endereços de policiais e agentes públicos no Pará para que a facção planejasse atentados contra suas vidas. A prisão foi antecipada em um dia para evitar a destruição de provas e contou com apoio da Divisão de Investigação Criminal de Brusque e da CORE/SC. Outro alvo foi preso em Florianópolis na mesma fase.
Na 2ª fase, em novembro de 2025, três integrantes do chamado “tribunal do crime” da facção foram presos em Joinville, Timbó e Santo Amaro da Imperatriz. Eles atuavam como “disciplinas” do CV, função responsável por julgar infrações internas e aplicar punições que incluíam multas, agressões físicas e até ordens de execução.
Na 4ª fase, deflagrada em março de 2026, Santa Catarina voltou a aparecer. Além de “Max Louco”, que vivia em Florianópolis, a operação já havia mobilizado a inteligência catarinense para localizar outros alvos. No total, ao menos sete integrantes da organização foram encontrados em cidades como Brusque, Florianópolis, Joinville, Timbó e Santo Amaro da Imperatriz.
Quatro fases e quase 50 presos
A Operação Coalizão pela Paz começou em outubro de 2025 e já acumula quatro fases. Na 1ª fase, nove pessoas foram presas em municípios do Pará e em Santa Catarina. Na 2ª fase, foram 11 presos no Pará, Maranhão e SC. Na 3ª fase, em dezembro de 2025, a operação mobilizou mais de 250 policiais e resultou na prisão de 33 pessoas, com cumprimento de 42 mandados e apreensão de cocaína, armas de fogo e documentos falsos. A 4ª fase, iniciada em março de 2026, já soma 48 mandados cumpridos.
Conforme as autoridades, todos os investigados são apontados como integrantes de uma organização criminosa estruturada com cargos hierárquicos definidos, que inclui “idealizadores de missões”, “disciplinas” e lideranças regionais. A atuação do grupo envolve tráfico de drogas, extorsões, homicídios e atentados contra agentes da segurança pública.
O caso segue em investigação. Dispositivos eletrônicos apreendidos ao longo das fases estão sendo analisados pela Polícia Federal e podem resultar em novos mandados. Dos 104 mandados expedidos na 4ª fase, 56 ainda não foram cumpridos.

