Uma perseguição em plena área central terminou em morte, pânico e uma família ferida na noite de 28 de fevereiro de 2026, em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina. A ocorrência, que começou como uma simples verificação de perturbação de sossego, se transformou em um episódio tenso, envolvendo violência doméstica, fuga em alta velocidade, colisão, ameaça com faca e um desfecho trágico diante de policiais e dezenas de testemunhas.
A guarnição da PMSC seguia para atendimento quando, no cruzamento das ruas Ruy Barbosa e Marconi, percebeu um veículo em atitude suspeita. Um dos passageiros abriu a porta com o carro ainda em movimento. Diante da situação, os policiais iniciaram acompanhamento.
O condutor seguiu em direção ao trevo de Canoas e depois ao Brasil Atacadista. Na sequência, perdeu o controle do automóvel e colidiu contra uma motocicleta. O motociclista sofreu fraturas no tornozelo e no fêmur e foi socorrido pelo SAMU. No carro estavam a companheira do autor e dois filhos menores, que foram atendidos pelo Corpo de Bombeiros e levados ao Hospital Regional de Rio do Sul.

Segundo relato da companheira, o homem, identificado como Edilson Batista, iniciou agressões verbais durante o trajeto e passou a ameaçar matar toda a família. Conforme o depoimento, ele pressionou uma faca contra o pescoço dela e afirmou que provocaria um acidente para tirar a vida de todos. Ao avistar uma viatura da Polícia Militar, a vítima tentou sair do veículo em movimento para pedir ajuda, mas foi impedida. O homem teria segurado um dos filhos como forma de coação, obrigando a mulher a permanecer no carro enquanto acelerava para fugir.
Após a colisão, Edilson desceu armado com a faca e fugiu a pé em direção ao Parque Municipal Harry Hobus. Houve perseguição por diversas ruas, inclusive áreas residenciais e comerciais com grande circulação de pessoas. Ele pulou muros, atravessou terrenos e chegou a invadir um restaurante onde havia aglomeração, inclusive com crianças, aumentando o risco para terceiros.

O cerco policial se intensificou nas imediações da Rua Abraham Lincoln, em frente ao Instituto Federal Catarinense, onde ocorria uma formatura. Mesmo cercado, o homem ignorou as ordens de parada. Um dos policiais utilizou dispositivo de eletrochoque para tentar contê-lo, mas a medida não foi suficiente para interromper a fuga.
Conforme o registro da ocorrência, durante o confronto final, Edilson declarou que queria ser morto pela polícia. Em seguida, posicionou a lâmina contra o próprio peito. No momento em que um novo disparo de eletrochoque foi efetuado para tentar imobilizá-lo, ele desferiu o golpe contra o próprio tórax. A ação ocorreu diante dos policiais.
O SAMU iniciou manobras de reanimação no local. A faca foi retirada e foram realizadas tentativas de reversão do quadro, mas o óbito foi constatado às 19h55.
Há registro anterior, no dia 17 de fevereiro de 2026, de uma tentativa de suicídio envolvendo o mesmo autor. A companheira já havia informado às autoridades sobre o estado emocional do homem, mas, conforme publicação feita após a trágica morte, ela achava que se tratava de “uma fase que ia melhorar”.
“Mas você se foi e deixou um vazio em nós. Onde quer que esteja você sempre será lembrado por nós e as crianças sempre saberam que você sempre foi o melhor pai de todos, o mais trabalhador, feliz”, escreveu ela nas redes sociais.
A ocorrência foi registrada como suicídio, lesão corporal leve dolosa e ameaça em contexto de violência doméstica. A Polícia Científica realizou a perícia e recolheu o corpo e um policial civil assumiu os trâmites investigativos.
O caso deixa marcas profundas. Uma família ferida, crianças expostas a momentos de terror e uma noite que transformou ruas movimentadas em cenário de tensão, sirenes e desespero.

