“O demônio chegou”: foragido invade casa, estupra e mantém mulher refém por mais de 14h em SC

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Diogo Fernando de Lima Hudema, de 35 anos, foragido da Penitenciária da Canhanduba, foi preso nesta terça-feira (6) após invadir uma residência no Centro de Penha (SC) e manter uma mulher em cárcere privado por mais de nove horas.

O caso chocante envolve acusações de estupro, ameaça, roubo, estelionato, invasão de domicílio, falsa identidade e sequestro.

A vítima relatou que foi acordada por um barulho na janela pouco antes da meia-noite. Ao verificar, viu um homem entrando pela janela com uma faca na mão. Com o olhar fixo e transtornado, o invasor pulou sobre a cama e anunciou: “O demônio chegou”. Assustada, ela tentou manter a calma e evitar reações que pudessem agravar a situação. O criminoso disse que não tinha intenção de feri-la, mas que “se fosse necessário, teria que cortar”.

Durante toda a madrugada, o homem permaneceu dentro da casa com a faca em punho, sem permitir que a vítima utilizasse o celular ou se comunicasse sem sua permissão. Tomando controle total da situação, ele usava o próprio celular dela para conversar com terceiros e fingir normalidade.

Em um dos momentos mais assustadores, ele obrigou a mulher a acompanhá-lo até o banheiro, onde a trancou e ordenou que ela se sentasse sobre a privada enquanto ele tomava banho, mantendo sempre o controle sobre sua liberdade. A casa permaneceu com janelas e portas trancadas, cortinas fechadas e o agressor a vigiava o tempo todo, levando a faca para todos os cômodos.

Ao amanhecer, por volta das 9h25, alguém bateu no portão da casa. O invasor ficou desconfiado e trancou a mulher em um dos quartos antes de ir verificar. Segundo a vítima, o visitante era um conhecido do criminoso, que exigiu a realização de um Pix no valor de R$ 200. O valor foi transferido para um homem identificado apenas como “Arão”.

Minutos depois, o invasor obrigou a vítima a realizar outra transferência, desta vez no valor de R$ 1.200,00, simulando ser o aluguel da casa para enganar uma inquilina da própria vítima. Em seguida, exigiu ainda mais dinheiro, alegando que precisava de combustível e insinuando que, caso ela não cooperasse, a situação “ficaria mais difícil”.

Durante todo o período, a mulher foi mantida sem roupas, sob constante vigilância, com o criminoso impedindo qualquer tentativa de fuga. A vítima relatou que o estuprador a forçou a manter relações sexuais sem o seu consentimento, sob ameaça constante. Ela afirmou que, para preservar sua vida, mantinha um comportamento submisso, fazia refeições para ele e tentava dialogar pacificamente.

A única chance de fuga surgiu quando o agressor, após comer e consumir bebidas alcoólicas compradas com o cartão da própria vítima, adormeceu. Nesse momento, ela conseguiu observar que a faca estava sobre a cama. Com extremo cuidado, levantou-se, vestiu-se às pressas, colocou um roupão, pegou o celular, a chave do carro e o controle do portão, e escapou correndo até a casa de um vizinho, onde finalmente pediu ajuda.

Familiares da vítima afirmaram que o criminoso foi preso em flagrante ainda dentro da residência, dormindo com o facão ao lado.

“Eu cheguei com a polícia e pegamos ele dormindo, foi preso em flagrante com esse facão. Por Deus não mataram ela. Iam levar ela. Conseguiram prender esse, o outro tá fugido”.

A parte mais grave veio a seguir. Segundo o filho, a vítima foi escolhida por morar sozinha e por ter um muro alto, o que dificultaria a vista dos vizinhos. Em conversas encontradas no celular do criminoso, ele e um comparsa estariam combinando a fuga com o carro da vítima às 15h30, com ela amarrada dentro do veículo, com o objetivo de desová-la.

“Agora a gente não sabe se iam desovar viva ou morta”, disse o filho.

Criminoso era foragido da Penitenciária de Itajaí

O autor, Diogo Fernando de Lima Hudema, tem uma extensa ficha criminal. Natural de Mamborê (PR), ele era considerado foragido da penitenciária de Itajaí.

Segundo o sistema SISP, Diogo estava evadido da unidade prisional CPVI – Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí, e já possuía histórico por crimes graves. Mesmo após a fuga, circulava livremente pelo estado de Santa Catarina.

Contradição no depoimento

Ao ser preso, Diogo afirmou aos agentes que era de fora do estado e que, de fato, invadiu a residência. No entanto, afirmou que todos os atos cometidos com a vítima teriam ocorrido com o consentimento dela — versão que foi totalmente desmentida pelo relato firme da vítima e pelas evidências apresentadas.

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