A dor de perder uma filha jovem, cheia de sonhos, ainda é latente para Kátia Xavier. Nesta terça-feira (3), ela quebrou o silêncio em um vídeo divulgado nas redes sociais pelo repórter William Fritzke, parceiro do Jornal Razão, e revelou detalhes até então desconhecidos do caso que abalou Jaraguá do Sul: a morte de Laila Aparecida Xavier Zapella, de 17 anos, vítima de uma overdose de drogas.
A adolescente, que sonhava em ser bombeira voluntária e estava prestes a concluir o curso preparatório, morreu após consumir uma combinação de entorpecentes oferecida pelo então namorado. O rapaz, de 19 anos, já possuía várias passagens policiais por furtos, incluindo casos registrados em escola e até em veículo oficial da Fujama (Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente). Atualmente, ele está solto, monitorado por tornozeleira eletrônica.
Durante a entrevista, concedida espontaneamente à reportagem, Kátia contou que só recentemente teve acesso ao laudo toxicológico oficial, que confirmou a presença de três substâncias no corpo da filha — entre elas, cocaína e etanol (álcool). “Ele deu três tipos de droga pra ela”, lamentou a mãe. “Ela só tinha 17 anos. Tinha uma vida inteira pela frente. Só queria ser bombeira. Ele destruiu tudo.”
O caso ocorreu na madrugada de 9 de março. Conforme relatos da Polícia Militar na época, Laila estava com o namorado ingerindo bebidas alcoólicas quando ele ofereceu cocaína. Pouco tempo depois, a jovem teve uma parada cardiorrespiratória. O rapaz a levou ao Hospital São José, mas fugiu logo após deixá-la na recepção, sem dar nenhuma explicação à equipe médica.
A jovem não resistiu e morreu pouco depois de dar entrada na unidade de saúde. O hospital acionou as autoridades ao suspeitar de intoxicação por drogas. Com base nas imagens das câmeras de segurança, a polícia identificou o motorista do aplicativo que fez o transporte até o hospital, localizou o namorado da vítima e colheu seu depoimento. Ele admitiu ter dado a droga à adolescente, mas segue em liberdade desde então.
Agora, com o laudo em mãos e a dor ainda aberta, a mãe pede justiça. “Ele precisa ser preso. Ele matou a minha filha. Como é que alguém que tira a vida de uma menina de 17 anos está solto com uma tornozeleira, furtando fios de luz em posto de combustível?”, questiona.
William Fritzke também se dirigiu às autoridades de Jaraguá do Sul durante a gravação: “Esse caso precisa de atenção. Essa mãe não dorme. Essa mãe tá em desespero. E não pode ser ignorada.”
A comunidade, que já havia se comovido com a história da jovem bombeira, volta a pressionar por responsabilização do autor e mais rigor nas investigações. Enquanto isso, Kátia carrega a missão de manter viva a memória da filha e transformar sua dor em luta.
