Moro detona juíz ‘Lul22’, suspeito de furto em mercado de SC: ‘Ladrão aloprado’

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O senador Sergio Moro (União Brasil PR) voltou a protagonizar um embate público de fortes declarações ao atacar o juiz federal Eduardo Fernando Appio, afastado da 18ª Vara Federal de Curitiba, após ser acusado de furtar três garrafas de champanhe em um supermercado de Blumenau, em Santa Catarina.

Em publicação nas redes sociais nesta sexta feira (12), Moro disparou críticas duras ao magistrado, afirmando que ele teria sido escolhido para atuar na 13ª Vara Federal de Curitiba com o objetivo de prejudicar a Operação Lava Jato, mentir sobre colegas e beneficiar corruptos.

A declaração repercutiu fortemente nos bastidores do Judiciário e da política nacional, especialmente por envolver duas figuras que estiveram em lados opostos dos desdobramentos da Lava Jato nos últimos anos.

Acusação de furto

De acordo com informações divulgadas pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF 4), Eduardo Appio é investigado por supostamente furtar, em três ocasiões distintas, garrafas de champanhe da marca Moët & Chandon, avaliadas em R$ 399 cada, no Giassi Supermercados, em Blumenau.

Os episódios teriam ocorrido nos dias 20 de setembro, 4 de outubro e 18 de outubro de 2025. Segundo a apuração, o juiz teria escondido as bebidas em uma sacola de compras para sair do estabelecimento sem efetuar o pagamento.

A Polícia Civil de Santa Catarina comunicou o TRF 4 sobre os fatos no dia 23 de outubro, o que motivou a abertura de uma apuração preliminar. Uma semana depois, Appio foi afastado provisoriamente de suas funções. O processo tramita sob sigilo.

Histórico de polêmicas

Eduardo Appio já acumulava histórico de polêmicas antes do caso. O magistrado se tornou conhecido por críticas públicas à Lava Jato e por sua proximidade ideológica com setores ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Em entrevistas anteriores, Appio declarou que a prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria causado danos irreparáveis ao país. Ele também confirmou ter realizado doações simbólicas às campanhas de Lula, no valor de R$ 13, e da deputada Ana Júlia Pires Ribeiro, no valor de R$ 40, ambas em 2022.

Na mesma época, o juiz admitiu que utilizava a senha “LUL2022” em seu acesso aos sistemas da Justiça Federal. Outro episódio frequentemente citado ocorreu em 2015, quando Appio vendeu um imóvel ao então deputado federal André Vargas, filiado ao PT até 2014. O valor declarado da transação foi de R$ 500 mil, enquanto o contrato previa R$ 980 mil, fato que gerou questionamentos públicos.

Resposta de Appio

Após as declarações de Moro, Appio reagiu por meio de um artigo publicado no portal O Cafezinho, intitulado “Sergio Moro, um difamador contumaz”. No texto, o magistrado acusa o senador de promover ataques infundados e afirma que irá processá lo criminalmente.

Segundo Appio, as declarações teriam atingido não apenas sua imagem, mas também sua família. Ele sustenta que as agressões não ficarão impunes e que buscará responsabilização judicial.

No artigo, o juiz também atribui à atuação de Moro na Lava Jato prejuízos à economia nacional, como perda de empregos e danos à imagem da Petrobras no mercado internacional. Ele cita ainda a chamada fundação Lava Jato, que seria criada com recursos recuperados pela operação, e menciona um suposto esquema de cashback, que estaria sob análise do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Investigação em andamento

O TRF 4 segue conduzindo a apuração interna sobre as acusações de furto. Eduardo Appio permanece afastado do cargo até nova deliberação, sem prazo definido para o encerramento do processo.

A defesa do magistrado nega as acusações e afirma que as imagens utilizadas na investigação seriam frágeis ou manipuladas. Os advogados classificam o episódio como um linchamento moral motivado por disputas ideológicas.

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