Um caso estarrecedor de maus-tratos contra cães na Praia Brava, em Florianópolis, mobiliza moradores, protetores de animais e autoridades policiais. A situação ganhou grande repercussão nas redes sociais após a morte de um cão comunitário conhecido como ‘Orelha’, também chamado de Preto, que vivia há mais de dez anos na região e era cuidado por moradores, pescadores e frequentadores da praia.
Segundo relatos de moradores, o animal foi encontrado gravemente ferido nos últimos dias. Diante da gravidade das lesões, Orelha precisou ser submetido à eutanásia. A morte do cão causou comoção na comunidade, que passou a cobrar respostas e responsabilização dos envolvidos.
“Ele era cuidado por moradores, pelos pescadores da região e foi brutalmente morto a pauladas. O ato foi filmado por um vigia do local que ao divulgar as imagens foi ameaçado pelos pais dos assassinos (menores de idade), resolveu excluir a postagem por medo de demissão ou represálias. O que vemos neste caso é a conivência da família, das pessoas que moram e sabem quem matou o animal e se calam diante de um fato deste por medo de alguém com poder financeiro. O condomínio onde estes covardes vivem na praia brava, sabe do ocorrido, e a síndica tenta abafar o caso. Isso não pode ficar assim. As pessoas de bem e os pescadores do local estão indignados com tamanha brutalidade. Pedimos providências neste caso e que os “menores” e seus tutores sejam punidos. Não vamos nos calar. Divulguem”, publicou a denunciante nas redes sociais.
Com a repercussão do caso, começaram a circular versões nas redes sociais apontando que um grupo de adolescentes, que estaria causando algazarra na região, teria participado das agressões. Comentários também mencionaram a existência de vídeos que registrariam o ataque, supostamente gravados por um vigia do local, e alegações de que imagens teriam sido apagadas após ameaças. Essas informações, no entanto, ainda não foram oficialmente confirmadas pelas autoridades.
Em meio à repercussão, a delegada Mardjoli, da Delegacia de Proteção Animal da Capital, veio a público para esclarecer a situação e detalhar o que está sendo efetivamente apurado pela Polícia Civil. Segundo a delegada, há confusão na disseminação de informações e é fundamental separar os fatos.
De acordo com a Polícia Civil, são dois episódios distintos em apuração. O primeiro envolve o cão Orelha, que foi encontrado lesionado e, devido à gravidade do quadro, precisou ser eutanasiado. O segundo, mais recente, refere-se a um cão caramelo, que, conforme relato de uma testemunha, teria sido visto sendo levado ao mar no colo por um adolescente. Ainda segundo essa versão, o animal conseguiu sair da água e deixou o local. Esse segundo fato segue sob verificação.
A delegada esclareceu que, até o momento, não há confirmação de que os mesmos adolescentes estejam envolvidos nos dois episódios. Também não foi comprovada a existência de vídeos que mostrem as agressões, nem mesmo pelas pessoas que afirmaram ter visto imagens que teriam circulado e sido apagadas em grupos de WhatsApp.
A Polícia Civil informou que desde o recebimento das ocorrências formalizadas está realizando diligências preliminares para esclarecer os fatos. Caso fique confirmada a participação de adolescentes, o relatório investigativo será encaminhado à Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei, responsável pelos procedimentos cabíveis quando há envolvimento de menores de idade.
Sobre denúncias que citam a possível participação de um pai e até de um policial civil em suposta coação de testemunha, a delegada afirmou que essas informações também estão sendo verificadas. Conforme explicou, se houver confirmação de crimes como coação no curso do processo ou abuso de autoridade, será instaurado procedimento específico no âmbito da Delegacia de Proteção Animal, uma vez que se trata de condutas atribuídas a maiores de idade.
A Polícia Civil reforçou que o trabalho investigativo é sério e técnico e que nenhuma linha de apuração é descartada. A delegada fez um apelo para que todas as denúncias sejam formalizadas o quanto antes, destacando que o tempo pode comprometer diligências importantes, como a realização de perícia e a obtenção de imagens de câmeras de segurança.
Ainda conforme a delegada, embora a atuação das redes sociais e da imprensa seja relevante para informar a população, quem tiver informações concretas que possam contribuir com a investigação deve procurar diretamente a Polícia Civil. Segundo ela, o trabalho policial será feito de forma imparcial, independentemente de classe social, influência ou parentesco entre os envolvidos.
O caso segue sob investigação. Até o momento, não há confirmação oficial de autoria, motivações ou responsabilidades. A Polícia Civil afirma que novas informações serão divulgadas à medida que as apurações avançarem.

