Após o confronto que terminou com quatro criminosos neutralizados pelo BOPE no Papaquara, no Norte da Ilha, a Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) sinaliza que a ofensiva contra o crime organizado em Florianópolis está longe de diminuir. Pelo contrário. A corporação anunciou uma mudança estratégica que, nos bastidores da segurança pública, já é interpretada como mais uma péssima notícia para a bandidagem que atua na Capital.
Nesta quinta-feira, 5 de março, o major Adriano de Faria Jerônimo assume oficialmente o comando do 22º Batalhão da Polícia Militar, unidade responsável pela área continental de Florianópolis. O batalhão atua em diversas comunidades consideradas áreas sensíveis e historicamente conflagradas pela presença do crime organizado.
Entre elas estão regiões como Morro da Caixa, Maloca, Chico Mendes, Monte Cristo, Vila Aparecida, Morro do Flamengo, Grota e Sapé, locais onde operações policiais são frequentes devido à atuação de facções criminosas.
A mudança de comando ocorre em um momento de forte tensão na Grande Florianópolis, após uma sequência de episódios violentos ligados à disputa entre grupos criminosos. Nos últimos dias, a região do Papaquara foi palco de ataques armados, perseguições policiais e confrontos que culminaram na morte de criminosos durante operações da Polícia Militar.
Dentro da corporação, a mensagem é clara: não haverá recuo no enfrentamento ao crime organizado, mesmo diante de pressões políticas, críticas públicas ou questionamentos jurídicos vindos de setores ligados à extrema esquerda e de advogados que atuam na defesa de integrantes de facções criminosas.
O novo comandante do 22º BPM é visto como um oficial de perfil operacional, com ampla experiência em unidades táticas e no combate direto à criminalidade.
O major Adriano ingressou na Polícia Militar de Santa Catarina em 2009. É bacharel em Direito e possui pós-graduação em Gestão Pública, além de formação voltada para operações policiais e gestão estratégica.
Entre os cursos realizados pelo oficial estão o Curso de Formação de Oficiais (CFO), o Curso de Comando e Estado-Maior do Corpo de Bombeiros Militar (CCEM), o Curso de Ações Táticas Especiais (CATE), o Curso de Táticas Policiais (CTP), além de capacitações em patrulha urbana, patrulha rural e polícia comunitária.
Ao longo da carreira, acumulou passagens por áreas consideradas estratégicas dentro da corporação. Já comandou a Companhia de Ações Táticas Especiais do BOPE, unidade responsável por operações de alto risco, além de atuar como comandante do Pelotão de Patrulhamento Tático do 4º Batalhão.
Também exerceu funções como chefe da Agência de Inteligência do 4º BPM, comandante de companhia e subcomandante em unidades operacionais. Desde 2023, ocupava o cargo de subcomandante do próprio 22º Batalhão, o que lhe deu conhecimento direto das dinâmicas de segurança na região continental da Capital.
A cerimônia de passagem de comando aconteceu na sede do batalhão, localizada na Rua Luiz Carlos Prestes, no bairro Monte Cristo, reunindo autoridades civis, militares, oficiais e praças da Polícia Militar.
Nos bastidores da segurança pública, a expectativa é de que a nova gestão mantenha e possivelmente amplie a postura de tolerância zero contra facções criminosas nas comunidades da região continental.
Para moradores de áreas afetadas pela violência, a mudança de comando ocorre em um momento considerado decisivo. Depois de dias marcados por confrontos armados, execuções e operações policiais, o recado das forças de segurança é de que a ofensiva contra o crime organizado continuará sem trégua.

