A Prefeitura de Tijucas protocolou no Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) o requerimento da Licença Ambiental de Instalação (LAI) para a construção dos molhes Norte e Sul e a dragagem de desassoreamento na foz do Rio Tijucas. A documentação foi encaminhada em 13 de março de 2026 e recebida oficialmente pelo IMA em 19 de março.
A LAI é a última etapa de licenciamento ambiental antes do início efetivo das obras. O projeto, elaborado pela empresa Hidrotopo Consultoria e Projetos, prevê investimento total estimado em R$ 55,35 milhões, distribuídos entre a implantação dos molhes de enrocamento (R$ 46,98 milhões) e a dragagem do canal de navegação (R$ 8,37 milhões).

Dimensões do projeto
Conforme o relatório técnico HD-1076/3, concluído em fevereiro de 2026 pela Hidrotopo e encomendado pela ACIT e CDL de Tijucas, o Molhe Norte terá 481 metros de extensão e o Molhe Sul, 342 metros, totalizando 823 metros de estruturas em enrocamento nas duas margens da desembocadura.
O volume total de material pétreo necessário é de 90.741 metros cúbicos, com blocos de rocha que variam de 10 quilos no núcleo a 3 toneladas na carapaça externa dos trechos mais expostos ao mar. A obra dos molhes tem cronograma previsto de 12 meses.

No projeto de dragagem, o volume total a ser removido é de 112.477 metros cúbicos de sedimentos acumulados ao longo de mais de duas décadas sem intervenção. O canal terá 900 metros de extensão, dividido em canal interno (480 m), vala de contenção do assoreamento (80 m) e canal externo (340 m), com profundidades que vão de 2,50 a 6,00 metros.
A dragagem será feita com draga de sucção e recalque de 14 polegadas e tem prazo contratual de 166 dias.

Autorizações já concedidas
A Marinha do Brasil já autorizou a construção, por meio de parecer da Delegacia da Capitania dos Portos em Itajaí, emitido em agosto de 2025, com prazo de até quatro anos para conclusão. A Licença Ambiental Prévia (LAP nº 3147/2025) foi concedida pelo IMA em 1º de setembro de 2025.
Com o protocolo da LAI, o projeto entra na última fase burocrática antes de virar canteiro de obras. Entre os documentos protocolados estão o requerimento da LAI, o plano executivo de dragagem, planos e programas ambientais, autorização da Capitania dos Portos, manifestação do IPHAN, outorga de uso de recursos hídricos, plano de ação emergencial e cronograma físico de implantação.

O que a obra significa para Tijucas
Para dimensionar o impacto, basta olhar para a vizinha Itajaí. As duas cidades têm história e idade semelhantes. Tijucas foi fundada como município em 1852, separando-se justamente de Itajaí, que se emancipou em 1860. As duas nasceram às margens de rios que desaguam no Atlântico, com colonização açoriana, vocação pesqueira e posição estratégica no litoral catarinense. A diferença entre elas, contudo, é grande.
Itajaí investiu no rio e no porto. Construiu molhes, dragou canais, atraiu estaleiros e se transformou em uma das maiores potências econômicas de Santa Catarina, com PIB de R$ 47,7 bilhões e a maior renda per capita do Estado. Tijucas, sem rio navegável e sem praia funcional, ficou à margem desse desenvolvimento.
O setor náutico já é a quarta maior fonte de receita fiscal de Tijucas, mesmo com a navegabilidade comprometida pelo assoreamento. Estaleiros e marinas se instalaram na cidade, gerando empregos qualificados com salários acima da média da indústria convencional.
A construção dos molhes e a dragagem do canal têm o potencial de colocar Tijucas em outro patamar. Com a foz estabilizada e o rio navegável, a expectativa é de atração de novos investimentos em turismo náutico, estaleiros, marinas e serviços ligados à economia do mar.
Linha do tempo e articulação política
O projeto dos molhes é um desejo que atravessa gerações em Tijucas. A última dragagem na Boca da Barra foi realizada há mais de 22 anos, na gestão do então prefeito Uilson Sgrott, pai do atual prefeito Maickon Sgrott.
A cronologia recente mostra aceleração. Em outubro de 2025, a Hidrotopo pediu autorização ao Centro de Hidrografia da Marinha e iniciou os levantamentos de campo em novembro, com batimetria por ecobatímetro digital e posicionamento por DGPS de alta precisão. Os trabalhos de campo foram concluídos em dezembro de 2025 e o relatório final ficou pronto em 13 de fevereiro de 2026.
Em janeiro de 2026, o prefeito Maickon Sgrott se filiou ao PL, partido do governador Jorginho Mello, movimento interpretado nos bastidores como estratégia para facilitar o financiamento da obra. O projeto conta com apoio declarado do governador e do secretário estadual de Meio Ambiente, Emerson Stein.
Conforme o relatório técnico da Hidrotopo, o assoreamento na foz do Rio Tijucas é da ordem de 60 mil metros cúbicos por ano. Isso significa que, após a dragagem, o canal pode voltar a assorear em um período entre 6 meses e 2 anos, dependendo do regime hidrológico. O próprio documento reconhece que serão necessárias dragagens periódicas de manutenção.
Próximos passos
Até a última atualização desta reportagem, a documentação da LAI já havia sido protocolada no IMA e aguardava análise do órgão ambiental. A definição integral das fontes de financiamento para a execução da obra ainda não foi anunciada oficialmente.
O prefeito Maickon Sgrott esteve pessoalmente no IMA para acompanhar o andamento do processo. A expectativa da gestão municipal é que a LAI seja concedida dentro do prazo estimado, permitindo o início das obras.
O projeto integra um pacote de obras estruturantes que a Prefeitura articula junto ao governo estadual, que inclui ainda o Contorno Viário de Tijucas, a Arena Multiuso, a Avenida Beira Mar e uma nova ponte de acesso à BR-101.
Quando concluídos, os molhes e a dragagem prometem estabilizar a desembocadura do rio, reduzir riscos de enchentes que afetam moradores e comerciantes, melhorar a navegabilidade para pescadores e embarcações de passeio e abrir caminho para um novo ciclo de desenvolvimento econômico e urbano em Tijucas.
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Foto de capa: Ilustração gerada por inteligência artificial simula como os molhes do Rio Tijucas devem ficar após a conclusão da obra.



