O criminoso responsável pela morte do músico Dick Mafra foi condenado a 30 anos de prisão pelo Fórum de Penha, no Litoral Norte de Santa Catarina.
O julgamento encerra uma espera de cinco anos da família pelo desfecho do caso, que completou meia década em fevereiro deste ano.
A informação foi confirmada ao Jornal Razão pela mãe do cantor, Sandra, em entrevista ao repórter Matheus Carvalho, em sua residência, nesta quinta-feira (16). Segundo Sandra, a sentença trouxe uma sensação de alívio à família após anos de luto.
O crime aconteceu em 4 de fevereiro de 2021, na Rua Olíndio Rodolfo de Souza, em Armação do Itapocorói, Penha. Estavam na residência o cantor, a namorada, a mãe e o padrasto.
Conforme o relato da família, os criminosos renderam o padrasto ao entrarem na casa. Ao perceber que se tratava de um assalto, Dick Mafra pulou a janela do quarto e chegou a ligar para a polícia, conversa que durou cerca de um minuto.
A namorada pulou em seguida, e os criminosos, ao ouvirem a movimentação, foram atrás do casal, que tentava se esconder em um terreno baldio ao lado da residência.
Após localizá-los, os suspeitos ordenaram que ambos retornassem para dentro da casa.
Ainda segundo o relato familiar, já dentro da residência, um dos criminosos exigiu dinheiro e joias da mãe do cantor. Sandra respondeu que não tinha valores ou peças, mas se dispôs a sacar dinheiro no banco, caso fosse necessário.
Foi nesse momento que Dick reagiu, conseguiu tomar a arma de um dos assaltantes e efetuou disparos. O criminoso atingido caiu já sem vida ao tentar pular a janela. O segundo assaltante revidou e atingiu o cantor, que morreu na sala da residência. Conforme a apuração do caso, esse segundo criminoso — agora condenado — só foi localizado depois de dar entrada em um hospital da região.
Sandra disse ao Jornal Razão que pediu a palavra durante o julgamento para comunicar diretamente ao autor do crime que o perdoava, mas que gostaria que ele cumprisse integralmente a pena imposta pela Justiça.
“O amanhecer de hoje, de vitória dessa luta de cinco anos de espera, foi uma sensação de alívio pra minha alma, para a família. Uma sensação de dever cumprido. O meu filho não está mais aqui, não traz a vida dele de volta, gostaria muito de ter esse poder. Eu sei que os filhos não são da gente, são de Deus. Eu devolvi ele para Deus, porque o filho não era meu, mas foi uma sensação de alívio muito grande para a minha alma. Continuo dizendo que o luto nunca vai passar. O luto é uma luta constante, uma roda-gigante: uma hora a gente está lá em cima, outra hora a gente está lá embaixo. Hoje, uma sensação de justiça. A justiça foi feita, a família está em paz. Agora eu consegui acordar em paz. Foi a primeira noite que dormi sem comprimido, depois de cinco anos dormindo com calmante. Isso foi maravilhoso pra mim, para minha saúde mental e física. Durante o julgamento, pedi permissão para falar e disse ao autor do crime que eu o perdoava, mas queria que ele cumprisse todos os dias da prisão. Eu perdoei porque precisava tirar esse peso do meu coração, da minha alma, da minha mente, virar essa página tão triste da minha vida. Por isso eu perdoei, por amor a Deus. Como cristã que eu sou, Deus me ensinou, mesmo na angústia, mesmo na tristeza, mesmo no desespero, mesmo entre raiva e ódio — porque o ser humano tem tudo isso, é uma mistura. Eu li essa palavra que nós devemos amar e perdoar o próximo”, disse Sandra, mãe do cantor.
Com a condenação a 30 anos de prisão, a família afirma considerar encerrada a longa fase de luta por justiça iniciada com a morte do músico em fevereiro de 2021.

