Uma mulher de 40 anos foi presa em flagrante por injúria racial na manhã da última terça-feira (7), após atacar com ofensas racistas e xenofóbicas uma funcionária venezuelana de 21 anos dentro de uma loja de assistência técnica de celulares no bairro São Martinho, em Tubarão, no Sul de Santa Catarina.
Câmeras de segurança do estabelecimento registraram o momento em que a cliente entrou alterada na loja, arremessou objetos contra a atendente, jogou a comida e a mochila da funcionária e proferiu xingamentos de cunho racista e xenofóbico. Conforme relato da vítima, a mulher a chamou de “macaca do demônio” e “venezuelana morta de fome”.
Polícia Militar flagra ofensas em câmeras e prende suspeita
Conforme a Polícia Militar de Santa Catarina, a ocorrência começou após uma ligação ao 190 informando um desacordo comercial e ameaças contra funcionários do local. Ao chegar ao estabelecimento, a guarnição teve acesso ao sistema de monitoramento interno, que registrou tanto as imagens quanto o áudio dos xingamentos.
Diante das provas, os policiais deram voz de prisão em flagrante à suspeita, que foi encaminhada à Delegacia de Polícia Civil de Tubarão para os procedimentos legais.
Discussão começou por conserto de celular de R$ 290
A funcionária, identificada como Adriannys Del Valle Abreu Ruiz, está no Brasil há pouco mais de cinco anos. Segundo ela, o problema começou no dia 26 de março, quando a cliente levou o celular para trocar a tela. O conserto foi autorizado pelo valor de R$ 290, mas, ao retornar no dia seguinte, a mulher disse que não teria como pagar e tentou oferecer dois aparelhos quebrados como garantia.
“A gente não aceitou porque não trabalha com isso. Já tinha sido acordado o valor do celular”, contou a vítima.
A cliente se comprometeu a buscar o aparelho no sábado seguinte, mas não compareceu. Segundo a funcionária, a mulher não apareceu no sábado, nem na segunda, terça ou quarta-feira. Apenas na quinta, à tarde, disse que podia fazer a retirada, mas o horário já não permitia que o celular fosse transportado da assistência técnica no centro até a loja no bairro São Martinho.
Vítima relata agressão e desabafa
Um novo acordo foi feito para a segunda-feira (7). No entanto, por conta da chuva, o motoboy não conseguiu entregar o aparelho a tempo. Foi quando a cliente chegou alterada ao estabelecimento.
“Estava atendendo outra cliente. A senhora ficou muito nervosa, arrebentou a porta, jogou objetos em cima de mim, jogou minha comida, minha mochila”, relatou a atendente. “Eu saí da loja pra me acalmar no banheiro. Quando voltei, chamei minha gerente pra ligar pra polícia.”
A agressão aconteceu na frente de outros clientes e de crianças que acompanhavam a suspeita. A vítima descreveu o impacto emocional do episódio.
“Eu comecei a chorar muito porque era muito frustrante ter uma pessoa falando essas coisas no teu ouvido e tu não conseguir fazer nada. Ninguém fala nada pra ela não se alterar mais”
A funcionária contou que não conseguiu assistir ao vídeo completo das agressões por vergonha e disse que sua rotina já mudou. “A minha vida já tá mudando, já não consigo nem trabalhar aqui mais”, desabafou.
Vereador presta apoio à vítima
Após a repercussão do caso nas redes sociais, o vereador Matheus Madeira (PT) informou que está prestando apoio à vítima, incluindo orientação jurídica e suporte da Assistência Social do município.
Suspeita pode pegar até 5 anos de prisão
A suspeita foi encaminhada à Delegacia de Polícia Civil de Tubarão e o procedimento foi remetido ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. Conforme a Polícia Civil, não há outras diligências a serem realizadas no caso.
A mulher já passou por audiência de custódia e está à disposição da Justiça para os demais procedimentos. Ela deve responder pelos crimes de racismo e xenofobia, que desde 2023 são equiparados pela Lei 14.532, sendo inafiançáveis e imprescritíveis, com pena que pode variar de 2 a 5 anos de prisão, além de multa.

