“Acordei com ele em cima de mim”: jovens denunciam série de abusos em hospital de SC

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Uma jovem de 23 anos denunciou ter sido vítima de violência sexual enquanto estava internada na ala psiquiátrica do Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos, em Laguna (SC). A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso, que está sendo tratado sob sigilo.

“Eu estava grogue, mas lembro dos toques, dos beijos, das palavras”

A paciente — que vamos tratar pelo nome fictício de “Joice” para preservar sua identidade — deu entrada na unidade no dia 4 de novembro para tratamento psiquiátrico. Segundo o boletim de ocorrência registrado por ela no dia 14, o abuso teria ocorrido na noite de 11 de novembro, por volta das 23h30.

Naquele momento, “Joice” relatou que estava sob efeito de medicações controladas, com sonolência intensa e dificuldade de manter-se consciente.

“Estava grogue, mas lembro dos toques, dos beijos, das palavras que ele dizia no meu ouvido. Ele me chamava de ‘gostosa’, beijava meus seios e apertava a minha bunda.”

Segundo ela, o técnico de enfermagem se aproveitou da sua vulnerabilidade.

“Eu não conseguia reagir. Meu corpo não respondia. Eu só via, sentia e não podia fazer nada.”

Ela conta que o homem a levou para a sala de convivência, longe dos quartos e com menor cobertura de câmeras.

“Ele disse que lá não tinha câmera. Eu me lembro de estar no sofá e de repente tinha o pênis dele na minha boca. Não sei como cheguei naquela cena. Tenho flashes disso, e é horrível lembrar.”

“Bah guria, tu acha que eu ia ficar com uma gorda feia daquela?”

“Joice” também relatou que ouviu de uma colega interna que o mesmo funcionário a assediava durante a entrega de remédios.

“Ela disse que ele encostava nos seios dela quando entregava remédio e que falou que ela precisava parar de tomar os medicamentos para ‘transar e viver’.”

Mais tarde, sozinha com o enfermeiro, Joice tentou mudar o foco da conversa mencionando a colega.

“Falei que a Jaqueline (nome fictício) estava com medo dele. A resposta foi nojenta. Ele riu e disse: ‘Bah guria, tu acha que eu ia ficar com uma gorda feia daquela?’.”

Segundo ela, o homem ainda tentou obter seu número e reforçou o pedido de sigilo.

“Disse que era pra eu não contar nada pra ninguém. Ele falou que se soubessem, ele estaria ferrado.”

“Estava menstruada e mesmo assim ele forçou”

A colega de quarto da vítima, também sob medicação, confirmou ter ouvido frases ditas pelo agressor naquela noite.

“Ela me disse que escutou ele me chamando de ‘gostosa’ e que ouviu quando eu disse que estava menstruada. Mas ela também não conseguia reagir por causa dos remédios.”

Segundo funcionário também é citado

No mesmo depoimento, Joice mencionou outro episódio envolvendo um segundo enfermeiro, dias antes do abuso principal.

“Ele me chamou pra ir na área externa e me beijou na boca. Eu estava em crise, vulnerável, e ele se aproveitou disso.”

Ela afirma que ambos os profissionais agiam com condutas inapropriadas.

“Eles falavam que eu era bonita, que gostariam de sair comigo. Um lugar que deveria ser seguro, virou um pesadelo.”

Ausência de câmeras e vulnerabilidade total

Ao relatar o caso à coordenação da ala, Joice foi informada que os quartos não possuem câmeras de vigilância e que a sala de convivência tem apenas cobertura parcial.

“A diretora disse que na sala de convivência tinha uma câmera, mas que pegava só parte da sala. Justamente onde ele me levou.”

Ela também relatou falta de profissionais na noite em que tudo ocorreu.

“Era pra ter dois enfermeiros, mas naquela noite só ele fez os atendimentos. Eu não vi ninguém mais.”

Hospital confirma apuração e afirma colaborar com investigação

Em nota, o Hospital Bom Jesus dos Passos afirmou ter adotado providências imediatas assim que recebeu o relato.

“Assim que a diretoria tomou conhecimento dos relatos, foram imediatamente iniciados procedimentos internos de apuração, bem como acionadas as autoridades competentes.”

A instituição declarou ainda:

“Não compactuamos com qualquer violação ética e tomaremos todas as medidas necessárias, conforme os resultados das investigações.”

Investigação em andamento e outras denúncias vêm à tona

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil. Até o momento, a identidade dos envolvidos não foi oficialmente divulgada.

Nas redes sociais, relatos de ex-pacientes e familiares reforçam a preocupação com a segurança na ala psiquiátrica.

“Já estive internada lá. Dormia com o colchão na sala de TV por medo do que podia acontecer nos quartos. Vi coisas que nunca esqueço.”

“Minha filha ia ser internada, mas desisti na hora quando vi pacientes dopados e homens e mulheres juntos. Fiquei com medo dela ser abusada. E agora vejo essa notícia… o que eu mais temia, aconteceu.”

As investigações seguem. A vítima permanece sob acompanhamento médico e psicológico.

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