Um homem de 38 anos foi espancado até a morte com socos, pauladas e tijoladas e um jovem de 22 anos escapou com aproximadamente 70% do corpo queimado após ambos serem sequestrados e levados a um cativeiro em uma casa abandonada em Bom Retiro, na Serra Catarinense. O crime aconteceu na noite de segunda-feira (30) e chocou a cidade serrana. Informações exclusivas obtidas pelo Jornal Razão revelam a dinâmica brutal do caso.
A Polícia Militar foi acionada por volta das 19h13 após o Samu receber um chamado para atender um homem ferido na rua Carlos Souza, no bairro São José, em um trecho conhecido como Beco da Teresona. Ao chegar ao local, as equipes encontraram o jovem completamente nu, coberto apenas por um cobertor, caído no chão de terra da garagem de uma residência.
Conforme o morador que o acolheu, o rapaz chegou sem roupa, ensanguentado e pedindo socorro. O morador ligou para o Samu, mas não sabia de onde a vítima havia vindo nem ouviu qualquer barulho antes.
Queimaduras, tiros e cheiro de gasolina
O jovem de 22 anos foi encaminhado ao Hospital Nossa Senhora das Graças de Bom Retiro. O médico de plantão constatou queimaduras em aproximadamente 70% do corpo, forte odor de gasolina, um ferimento por disparo de arma de fogo no ombro direito e outro na mão. O rapaz aguardava transferência para o hospital de Lages por meio da unidade de suporte avançado do Samu.
Sequestro sob ameaça de arma
Em depoimento aos policiais militares, o sobrevivente relatou que caminhava nas proximidades de um posto de combustíveis na avenida 24 de Outubro quando foi abordado por um grupo de homens em um veículo. Segundo o jovem, ele foi forçado a entrar no carro sob ameaça de arma de fogo. Dentro do veículo já estava outro homem, que viria a ser a segunda vítima.
De acordo com o relato, o grupo levou ambos até uma residência abandonada no final da avenida Major Generoso, próximo a uma caixa d’água. No local, as duas vítimas foram amarradas.
Execução e fuga em chamas
Ainda conforme o depoimento, os agressores espancaram o homem de 38 anos com socos, pauladas e tijoladas até a morte diante do jovem. Em seguida, o rapaz recebeu dois disparos: um atingiu o ombro direito e o outro foi direcionado à cabeça, mas ele colocou a mão para se proteger e o projétil atingiu a mão. Nesse momento, ele se fingiu de morto.
Segundo o sobrevivente, o grupo derramou gasolina sobre os dois corpos e ateou fogo, saindo do imóvel acreditando que ambos estavam mortos. Mesmo com as mãos amarradas e o corpo em chamas, o jovem conseguiu se levantar, pular por uma janela, rolar no chão para apagar o fogo e correr completamente nu em busca de ajuda até chegar à residência onde foi socorrido.
Motivação: dívida de R$ 200 de cocaína
Conforme a apuração do Jornal Razão, o próprio sobrevivente relatou aos policiais que a motivação do crime seria uma dívida de R$ 200 relacionada a cocaína. A Polícia Civil de Bom Retiro investiga o caso e ainda não confirmou oficialmente essa informação.
Vítima fatal usava tornozeleira eletrônica
O segundo homem foi identificado como Valmir Marian, de 38 anos, natural de Santa Catarina. Ele possuía extensa ficha criminal com passagens por tráfico, roubo, furto, porte ilegal de arma de fogo, ameaça e outros crimes, e utilizava tornozeleira eletrônica. A identificação foi possível após o sobrevivente reconhecer uma fotografia e a numeração parcial do equipamento de monitoramento encontrado junto ao corpo.
Cena do crime
Ao se deslocarem até o imóvel abandonado indicado pelo jovem, os policiais encontraram o corpo de Valmir Marian parcialmente queimado, com mãos e pés amarrados por fios elétricos, já em estado de rigidez cadavérica. No interior da residência foram localizados um galão de aproximadamente dois litros parcialmente queimado, pedaços de madeira manchados de sangue, bitucas de cigarro e, do lado de fora, fragmentos de uma tela de celular quebrada.
Conforme apurado, policiais verificaram junto aos frentistas de um posto de combustíveis da região que um homem de cabelo vermelho havia comprado gasolina em litros durante a tarde de segunda-feira. O sistema de câmeras do estabelecimento, no entanto, não estava gravando no momento.
Investigação e segurança no hospital
A Polícia Científica esteve no local e realizou a perícia com coleta de vestígios e isolamento da área. A investigação ficou a cargo da Polícia Civil de Bom Retiro, que apura o caso como homicídio doloso consumado e tentativa de homicídio doloso.
Policiais militares permaneceram no hospital durante toda a noite para garantir a segurança do sobrevivente, da equipe médica e dos demais pacientes, diante do risco de os suspeitos retornarem para tentar novamente contra a vida do jovem.
Até a manhã desta terça-feira (31), o rapaz seguia internado em estado grave, porém estável. Nenhum suspeito havia sido preso. A investigação reúne o depoimento da vítima, materiais periciados e diligências em andamento.

