“Ela queria transar à força”: jovem alega ter matado garota de 21 anos em SC para se defender

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Jamile Cordeiro, de 21 anos, foi encontrada morta dentro de uma residência incendiada na Rua Alfredo Schumacher, bairro Alto da Tijuca, em Canoinhas, na madrugada desta quarta-feira (25). A jovem apresentava um ferimento perfurocortante profundo na região do pescoço. O suspeito, Antônio Padilha, foi preso horas depois a mais de 200 quilômetros do local do crime, em Lindóia do Sul, no Oeste de Santa Catarina. O caso foi registrado como feminicídio qualificado seguido de incêndio criminoso.

Conforme a Polícia Militar de Santa Catarina, a guarnição de Canoinhas foi acionada para apoiar o Corpo de Bombeiros no combate às chamas na residência, que é um imóvel anexo à casa de familiares do suspeito. Após o controle do incêndio, os bombeiros localizaram o corpo de Jamile no interior do imóvel. A Polícia Científica foi acionada para os procedimentos de perícia.

A versão do suspeito

Em depoimento obtido com exclusividade pelo Jornal Razão, Antônio Padilha apresentou uma versão para o crime. Segundo o relato dele, os dois teriam se conhecido há apenas quatro dias. Na noite do crime, Jamile teria ido até a residência, onde começaram a ingerir bebidas alcoólicas. Ele afirmou que os dois tiveram uma relação sexual consensual.

Ainda conforme a versão apresentada pelo suspeito, após o ato sexual, os dois conversaram. Jamile teria relatado situações de agressão com ex-namorados. Em seguida, segundo Padilha, a jovem teria insistido em ter uma nova relação sexual e tentado forçá-lo, chegando a mordê-lo no pescoço.

O suspeito alegou que, ao tentar se desvencilhar, bateu a cabeça em uma mesa ao lado do sofá, momento em que uma faca de serrinha teria caído no chão. Segundo ele, Jamile tentou pegar a faca primeiro, mas ele conseguiu pegá-la antes e, “com o intento de se proteger”, desferiu um golpe no pescoço da jovem.

Após o fato, conforme o depoimento, Padilha disse que entrou em desespero, ateou fogo na residência e decidiu fugir para a casa de sua mãe, em Lindóia do Sul.

Câmeras rastrearam a fuga de mais de 200 km

Imagens de câmeras de vigilância registraram que a vítima e o suspeito chegaram juntos à residência por volta das 20h27. Por volta de 1h14, Antônio Padilha foi flagrado deixando o local com uma mochila e utilizando um veículo Fiat Punto de cor prata.

A Agência de Inteligência da PMSC iniciou o rastreamento do veículo com apoio do sistema de câmeras OCR em todo o estado. O carro foi identificado passando por Lindóia do Sul por volta das 5h. Com a informação, equipes da região foram mobilizadas.

Prisão em Lindóia do Sul

Por volta das 9h, policiais receberam a informação de que Antônio Padilha estaria escondido em uma residência no final da Rua Barão do Rio Branco, em Lindóia do Sul. O veículo usado na fuga foi localizado no pátio do imóvel. A guarnição realizou o cerco e efetuou a prisão em flagrante no interior da casa.

A ação da PMSC envolveu a troca de informações entre guarnições de diferentes regiões do estado, o que possibilitou a localização do suspeito em menos de oito horas após o crime.

Investigação em andamento

Após a prisão, Antônio Padilha foi encaminhado ao Hospital de Ipumirim para exame de corpo de delito e, na sequência, apresentado à Delegacia de Polícia de Concórdia, onde o flagrante foi lavrado. O veículo utilizado na fuga também foi apreendido.

A Polícia Civil investiga as circunstâncias do crime e a real motivação. A versão apresentada pelo suspeito será confrontada com os elementos periciais e depoimentos de testemunhas. Antônio Padilha permanece à disposição da Justiça.

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