Irmão de músico da banda de Alexandre Pires foi morto por segurança em boate de SC

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O desaparecimento que mobilizou familiares, amigos e ganhou repercussão nas redes sociais terminou com uma revelação brutal em Santa Catarina. Após semanas de angústia e buscas sem respostas, a Polícia Civil confirmou que Marcus Vinicius Pinheiro Machado e Souza, de 36 anos, foi morto dentro de uma boate de prostituição na Praia da Pinheira, no município de Palhoça, e teve o corpo ocultado pelo próprio autor do crime.

Marcus estava desaparecido desde 11 de outubro, quando foi visto pela última vez na região litorânea. O caso ganhou notoriedade após manifestações públicas de Luiz Henrique, conhecido como Tiazinha, músico que integra a banda do cantor Alexandre Pires e irmão da vítima, que usou as redes sociais para expor o desespero da família diante do silêncio e da falta de informações sobre o paradeiro de Marcus.

A virada decisiva nas investigações veio com o trabalho da Delegacia de Roubos e Antissequestro da DEIC, que conseguiu reconstruir os últimos passos da vítima. Conforme apurado, Marcus esteve em uma boate de prostituição localizada na Praia da Pinheira na noite em que desapareceu. No local, houve um desentendimento envolvendo pagamento de serviços, situação que teria desencadeado a violência.

De acordo com a investigação, Marcus foi imobilizado com um golpe conhecido como “mata-leão”, aplicado por um segurança do estabelecimento. A ação foi fatal. Após a morte, o corpo da vítima permaneceu cerca de dez horas dentro da boate, sem que autoridades fossem acionadas. Em um segundo momento, o autor do crime retirou o corpo do local e o levou até uma área rural no bairro São Sebastião, também em Palhoça, onde realizou o enterro clandestino.

O responsável pelo homicídio, um homem de 28 anos, natural de São José, acabou identificado, localizado e preso pela equipe da DRAS. Durante a abordagem, ele colaborou com a investigação, indicando com precisão o local onde os restos mortais de Marcus estavam enterrados. A informação permitiu a atuação da Polícia Científica, que realizou os trabalhos periciais necessários para a confirmação da identidade da vítima e coleta de elementos técnicos fundamentais para o inquérito.

Com o avanço das apurações, a Polícia Civil deflagrou uma operação de grande porte, cumprindo cinco mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram em diferentes pontos estratégicos, incluindo o bairro Brejaru e a Praia da Pinheira, em Palhoça, sendo um dos alvos justamente a boate onde o crime ocorreu. Outras ordens judiciais foram executadas na região do Rio Tavares, em Florianópolis, ampliando o cerco investigativo sobre possíveis conexões e responsabilidades indiretas.

O homem preso possui antecedentes criminais por porte ilegal de arma de fogo e, após os procedimentos legais, foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça. Para a Polícia Civil, a prisão representa um passo decisivo, mas não encerra o caso.

Segundo o delegado Anselmo Cruz, responsável pela investigação, o inquérito segue em andamento. O objetivo agora é esclarecer de forma minuciosa todas as circunstâncias do crime, verificar se houve participação ou omissão de outras pessoas, além de apurar responsabilidades administrativas e criminais relacionadas ao funcionamento do estabelecimento.

As perícias conduzidas pela Polícia Científica de Santa Catarina são consideradas essenciais para consolidar a dinâmica da morte, confirmar horários, causas exatas do óbito e eventuais tentativas de ocultação de provas. Todo o material coletado será incorporado ao processo, fortalecendo a responsabilização penal dos envolvidos.

O caso expõe uma sequência de decisões graves, marcadas por violência, silêncio e tentativa de ocultação, que prolongaram o sofrimento da família por semanas. Para os investigadores, o desfecho só foi possível graças à atuação técnica, persistente e integrada da Polícia Civil, que conseguiu transformar um desaparecimento sem pistas aparentes em um crime esclarecido, com autor identificado, preso e provas reunidas.

Enquanto a investigação avança para suas fases finais, a família de Marcus enfrenta o luto com a dor agravada pela forma como tudo aconteceu. O sentimento, agora, é de que a verdade veio à tona, ainda que tarde, e que a Justiça possa seguir seu curso diante de um crime que chocou Santa Catarina.

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