Eduardo de Lima, de 29 anos, conhecido como “Cachorro Loco”, foi morto a facadas na madrugada deste sábado (15), dentro de uma residência na rua José Corrêa Gonçalves, no bairro Martello, em Caçador, no Meio-Oeste catarinense. O autor dos golpes, morador da casa, alegou ter agido em legítima defesa após ser ameaçado de morte pelo invasor, que teria entrado na residência portando uma faca.
Conforme a Polícia Militar de Santa Catarina, as guarnições foram acionadas via Copom e se deslocaram ao endereço, onde constataram o óbito de Eduardo no local. A Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Científica também estiveram presentes. O local foi isolado e preservado para os trabalhos da perícia.
A versão do morador
Segundo o relato do morador à PM, ele estava deitado com seu filho, um bebê de oito meses, quando sua ex-companheira chegou à residência acompanhada de Eduardo, um homem que ele afirma nunca ter visto antes. A mulher teria pedido para entrar e buscar pertences, e ele abriu a porta acreditando que ela estivesse sozinha. Ao entrar, Eduardo teria dito para que ele largasse o bebê e “fosse homem”. O morador afirmou que pegou o celular para ligar para a Polícia Militar e avisou a ex-companheira que já havia acionado a polícia. Nesse momento, segundo o relato, o invasor teria proferido ameaça de morte.
Uma testemunha que mora ao lado confirmou à PM que, por volta das 6h25, ouviu uma discussão vinda da casa e, ao olhar pela janela, viu um homem segurando uma faca de tamanho médio durante a briga.
Ainda conforme o relato do morador, Eduardo saiu da casa e retornou portando um cabo de vassoura. Os dois entraram em luta corporal e rolaram pelo chão. Durante o confronto, o morador relatou que conseguiu pegar uma faca que estava sobre a pia da cozinha e desferiu golpes na região das costelas do invasor. Declarou não se recordar do número exato de golpes e alegou ter agido para preservar sua vida e a do filho.
Segundo a PM, tanto o morador quanto a ex-companheira apresentavam sinais evidentes de embriaguez no momento do atendimento, com hálito etílico forte e fala arrastada.
A versão da ex-companheira
A versão da ex-companheira do morador é diferente. Segundo ela, o casal havia saído junto para um bar, onde o companheiro teria tido uma crise de ciúmes e a agredido. A mulher apresentava marcas nos braços e no peito. Ela relatou que saiu sozinha do local e, no caminho para casa, Eduardo ofereceu ajuda para buscar o filho na residência. Pela versão da mulher, Eduardo não foi ao local para ameaçar ninguém, e sim para ajudá-la a pegar a criança. Ao chegarem, o morador não teria aceitado entregar o bebê, e Eduardo teria chegado segurando uma faca, momento em que a briga começou.
O próprio morador confirmou à PM que, ainda de madrugada, houve desentendimento entre ele e a ex-companheira durante uma festa no bairro Martello. Ele saiu sozinho, passou na babá, pegou o filho e voltou para casa. Ao chegar, ligou para a Polícia Militar para registrar ocorrência preventivamente, alegando ter sido agredido pela mulher. No momento do atendimento, o morador apresentava marcas visíveis no rosto, nariz inchado e hematoma compatível com agressão.
O que dizem as testemunhas
Conforme informações repassadas por um vizinho à PM, ele acordou por volta das 5h30 com barulho e discussão na casa ao lado. Ao sair, viu o morador já do lado de fora, que teria dito que “achava que o cara estava morto”. O vizinho então viu o corpo de Eduardo caído na porta dos fundos da residência.
O pai da vítima compareceu ao local e identificou o filho. Eduardo era morador de Rio das Antas e tinha um filho de 11 anos. Segundo o pai, Eduardo havia dito que iria para uma festa na noite anterior e depois saiu de carro dizendo que levaria uma mulher para casa. A identificação só foi possível com a chegada do pai, pois Eduardo não portava documentos, apenas um celular bloqueado.
Criança recolhida pelo Conselho Tutelar
O bebê de oito meses, filho do casal, foi recolhido pelo Conselho Tutelar e ficará sob os cuidados de uma tia materna.
Condução e investigação
O morador foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil de Caçador, assim como a ex-companheira e as testemunhas. A PM ressaltou que, apesar dos sinais de embriaguez, o autor se mostrou calmo no momento da chegada das guarnições, não sendo necessário o uso de algemas na condução.
O velório de Eduardo de Lima está sendo realizado no Memorial Martello, com sepultamento previsto para este domingo (16), às 10h, no Cemitério Correia.
O caso foi registrado como homicídio doloso e segue sob investigação da Polícia Civil, que apura todas as circunstâncias da morte de Eduardo de Lima.

