Governador de SC reage após ser chamado de ingrato por ministro de Lula: “só entregam conversa mole”

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O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), não deixou sem resposta as críticas que recebeu durante o evento de retomada das operações do Porto de Itajaí, promovido pelo governo federal na quinta-feira (29). Nesta sexta (30), o governador reagiu publicamente aos ataques, principalmente à fala do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), que o classificou como “ingrato” por não comparecer à cerimônia ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Entregar conversa mole”, resumiu Jorginho ao comentar a visita presidencial. Segundo ele, o governo federal não levou nada de concreto para o estado e, pior, tenta jogar a opinião pública contra sua gestão com discursos vazios.

“A cada R$ 100 que Santa Catarina manda para Brasília, vocês nos devolvem R$ 10. E ainda somos ingratos, né? Sem contar as obras que o presidente veio entregar hoje… Que obra, ministro? Veio entregar conversa mole”, disparou.

A resposta veio após o ministro Silvio Costa Filho declarar, em tom provocativo e sob aplausos do público presente em Itajaí, que “se tem um governador que está sendo ingrato com o presidente Lula, é o governador deste estado aqui”. O discurso foi visto como um recado direto a Jorginho, que havia confirmado anteriormente que estaria no Oeste catarinense cumprindo agenda do programa estadual “Santa Catarina Levada a Sério”.

Críticas cruzadas e clima de disputa política

Durante seu pronunciamento, Jorginho ainda ironizou o suposto volume de investimentos do governo federal em solo catarinense. “Deixa eu ler aqui a relação de obras do governo federal em Santa Catarina. Opa, não tem nenhuma, rapaz”, afirmou em tom ácido.

A troca de farpas escancarou a tensão entre o governo de Santa Catarina e o Palácio do Planalto. Enquanto Lula exalta projetos e recursos federais como as obras nas BRs 470, 280 e 163, o estaleiro de Itajaí e os investimentos no porto, o governo estadual contesta a efetividade dessas entregas, alegando que há promessas demais e execução de menos.

O próprio presidente Lula também mencionou a ausência de Jorginho, embora sem citar seu nome diretamente. “Eles estão com raiva, nem vieram — e nem virão. Quero ver se têm coragem de falar, no confronto direto, se mostram o que fizeram. Só sabem mostrar metralhadora. Eu prefiro mostrar livros”, disse o petista em tom provocador.

Disputa de narrativas segue em alta

O episódio reforça a disputa por protagonismo político em Santa Catarina, estado onde Lula tem baixos índices de aprovação e onde Jorginho mantém apoio sólido entre setores conservadores. De um lado, o Planalto tenta mostrar ações e investimentos; de outro, o governo estadual denuncia o que considera um “marketing federal” sem resultados práticos.

O embate deve seguir nos próximos meses, especialmente em ano pré-eleitoral. A oposição estadual, liderada por Jorginho, já se articula para questionar cada visita e anúncio do governo Lula em Santa Catarina — e a réplica desta sexta sinaliza que a temperatura só tende a subir.

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