A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu nesta quinta-feira (10), em Itapema (SC), Fernando Sousa, de 39 anos, investigado por liderar um esquema de fraudes milionárias no setor imobiliário.
Mesmo após deixar um rastro de vítimas e prejuízos superiores a R$ 20 milhões, Fernando mudou-se para Santa Catarina, assumiu uma nova identidade profissional e passou a exibir nas redes sociais uma rotina de aparente sucesso, ostentando vestes elegantes e frases motivacionais como se nada tivesse acontecido.
Atuação descarada e nova persona nas redes sociais
Em um vídeo recente, Fernando Sousa surge vestido como os chamados “corretores gourmet” — com blazer, barba bem aparada e ao fundo um cenário paradisíaco de Itapema. Sem mencionar o passado, diz:
“Faz menos de dois meses que me mudei pra cá e já me pergunto por que não tomei essa decisão antes. Que lugar maravilhoso, que traz paz… Se você está pensando em mudar de vida, me chama que eu acho o lugar perfeito aqui.”
Enquanto publicava esse tipo de conteúdo, vítimas no Rio Grande do Sul seguiam sem resposta. Ele simplesmente encerrou as atividades da antiga imobiliária em Nova Petrópolis, sumiu da cidade e recomeçou a vida à beira-mar como se nada devesse.
Esquema envolvia 600 imóveis e uso de planilhas falsas
De acordo com o delegado Fábio Peres, responsável pela investigação no Rio Grande do Sul, o golpe foi estruturado com aparência de legalidade. Fernando firmava contratos de locação, recebia cauções, adiantamentos e valores de condomínios — mas não repassava os recursos nem aos locadores, nem aos inquilinos. Em vez disso, criava planilhas falsas para convencer os clientes de que os repasses estavam sendo feitos.
Apenas com os depósitos de garantia, cada contrato podia render mais de R$ 4 mil. Com o volume de negócios, a fraude se espalhou por cerca de 600 imóveis. Segundo a Polícia, há mais de 50 boletins de ocorrência registrados e novas denúncias seguem chegando pela Delegacia Online.
Prisão com apoio da Polícia Civil de Itapema
A Justiça da Comarca de Nova Petrópolis decretou a prisão preventiva diante da reiteração das fraudes, da fuga do investigado e do risco à ordem econômica. A operação que resultou na prisão contou com o apoio da Polícia Civil de Santa Catarina, que localizou e capturou Fernando no litoral norte catarinense.
Graças à cooperação entre as duas corporações, foi possível empreendê-lo antes que novos golpes fossem aplicados em Santa Catarina. A prisão é considerada um passo essencial para o avanço das ações judiciais e possível reparação dos danos causados.
Vida de luxo financiada por vítimas lesadas
Mesmo com processos cíveis e penais em curso no estado de origem, Fernando manteve um padrão elevado de vida, residindo em imóvel de alto padrão e atuando publicamente no mercado imobiliário. Ele usava linguagem de autoajuda e imagens de paisagens de luxo para atrair novos clientes, mantendo sua imagem limpa aos olhos de quem não conhecia o histórico.
O endereço da antiga imobiliária, localizada próximo à Rua Coberta, em Nova Petrópolis, permanece fechado. Ex-funcionários afirmaram não ter recebido sequer os direitos trabalhistas.
O inquérito segue em andamento e deve avançar nos próximos dias, com a apuração de novos nomes e empresas possivelmente envolvidas na ocultação ou continuidade da fraude.

