Um foragido do sistema prisional foi capturado na tarde desta terça-feira (22) em uma ação coordenada da Ronda Ostensiva Municipal (ROMU), da Guarda Municipal de Florianópolis. A prisão ocorreu no prédio desativado da antiga rodoviária, na região central da capital, alvo de disputas judiciais e debates públicos sobre seu destino.
De acordo com a Guarda Municipal, o homem se apresentava com identidade falsa e circulava livremente pelas imediações até ser flagrado pelas equipes. As guarnições, divididas em dois grupos, realizaram o cerco e surpreenderam o suspeito, que tentou escapar subindo até o telhado da edificação.
Com o apoio de um morador de um prédio vizinho, que indicou a localização do foragido, os agentes conseguiram capturá-lo. Apesar da tentativa de resistência, ele foi contido com segurança e encaminhado para a delegacia.
Após identificação real, constatou-se que o homem possuía uma longa ficha criminal e era procurado por ter rompido o regime prisional. Ele ainda tem mais de 10 anos de pena a cumprir.
“Mais um fora de circulação! ROMU na linha de frente pela segurança da população”, declarou a Guarda nas redes sociais.
Prédio da antiga rodoviária virou abrigo para foragidos e foco de insegurança
A prisão reacende o debate sobre a situação do edifício da antiga rodoviária, localizado entre as avenidas Mauro Ramos e Hercílio Luz. O prédio encontra-se em estado avançado de deterioração e, segundo a Defesa Civil, oferece riscos estruturais significativos. Mesmo assim, o local tem sido ocupado irregularmente e usado como abrigo por pessoas em situação de rua e suspeitos de envolvimento com crimes na região central.
Recentemente, a Prefeitura de Florianópolis tentou obter autorização judicial para demolir o prédio. No entanto, a proposta foi barrada pela 3ª Vara da Fazenda Pública da Capital. Em sua decisão, o juiz Alexandre Murillo Schramm afirmou que o imóvel possui valor histórico e simbólico para a cidade, e não pode ser destruído sem uma escuta pública e avaliações mais amplas.
Ministério Público exige diálogo e responsabilidade
O Ministério Público de Santa Catarina também se manifestou contra a demolição imediata, exigindo que o Executivo municipal preste esclarecimentos formais sobre os planos para a área. O promotor Fabrício José Cavalcanti reconheceu que o estado de abandono é evidente, mas reforçou que o debate deve envolver órgãos técnicos, especialistas e a sociedade civil.
Com a decisão judicial, a Prefeitura deverá abrir um processo participativo para decidir o futuro do imóvel. Enquanto isso, o prédio continua sendo alvo de ações policiais e preocupação para moradores e comerciantes da região central.
A prisão realizada nesta terça reforça a urgência de uma solução definitiva para o espaço, que hoje representa não apenas um ponto de conflito urbano, mas também uma brecha para a criminalidade no coração de Florianópolis.
