Santa Catarina está mais violenta? Quando os números são colocados em contexto, a resposta passa longe da ironia que costuma aparecer nos comentários das redes sociais. O Jornal Razão fez um levantamento com base nas últimas atualizações nacionais.
Um dos indicadores mais objetivos para medir segurança pública é o número de mortes violentas, especialmente homicídios. E é justamente nesse ponto que Santa Catarina se distancia de boa parte do país.
Com uma população estimada em 8,19 milhões de habitantes, Santa Catarina registrou 43 homicídios em janeiro de 2026, o menor número para o mês em 19 anos, segundo dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública. Em 269 dos 295 municípios, não houve nenhum assassinato.
O resultado representa uma queda de 14% em relação a janeiro de 2025 e de 56% na comparação com janeiro de 2016, o mais letal da série histórica. Proporcionalmente, isso equivale a cerca de 0,52 morte por 100 mil habitantes no mês.
O governo do estado atribui o resultado ao trabalho integrado das forças de segurança, com destaque para a atuação da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) e da Polícia Civil, além do apoio das Guardas Municipais nas principais cidades e da Polícia Penal no controle do sistema prisional.
Apesar desses indicadores, a percepção pública nem sempre acompanha os dados. Sempre que um caso violento ocorre em Santa Catarina e é divulgado, sobretudo por veículos que adotam uma linha de transparência e acesso direto à informação, parte dos comentários ironiza e critica a segurança pública do estado.
A exposição frequente de ocorrências, com nomes, locais e contexto, cria a sensação de aumento da violência. Na prática, o que existe é mais visibilidade, não necessariamente mais crimes.
Quando Santa Catarina é colocada lado a lado com outros estados que já divulgaram balanços oficiais de janeiro, o contraste fica evidente.
O Ceará, com cerca de 9,27 milhões de habitantes, registrou 191 mortes violentas no mês. Apesar da redução de 29% em relação a janeiro de 2025, o número absoluto é mais de quatro vezes maior que o catarinense, com taxa aproximada de 2,06 mortes por 100 mil habitantes.
No Espírito Santo, onde vivem cerca de 4,13 milhões de pessoas, janeiro terminou com 88 homicídios, quase três por dia e 11 a mais que no mesmo mês do ano passado. A taxa mensal ficou em torno de 2,13 mortes por 100 mil habitantes, segundo dados oficiais.
Em Pernambuco, com população estimada em 9,56 milhões, foram registrados 252 homicídios em janeiro, o que representa cerca de 2,64 mortes por 100 mil habitantes. Apenas o município de Petrolina concentrou 27 mortes, número próximo ao total de todo o estado de Santa Catarina no período.
O Piauí, com cerca de 3,38 milhões de habitantes, contabilizou 51 homicídios em janeiro, mesmo após uma queda de 16,39% na comparação anual. A taxa ficou em torno de 1,51 morte por 100 mil habitantes, ainda quase três vezes superior à catarinense.
Já o Pará, que tem aproximadamente 8,71 milhões de habitantes, registrou 151 Crimes Violentos Letais e Intencionais no mês. Mesmo com reduções históricas quando comparado a anos anteriores, a taxa mensal segue elevada, em torno de 1,73 morte por 100 mil habitantes.
Estados historicamente associados a altos índices de violência, como a Bahia, seguem liderando o ranking nacional de homicídios. No entanto, os dados consolidados de janeiro de 2026 ainda não foram divulgados oficialmente. O mesmo ocorre com Alagoas, que também não publicou balanço fechado do período.
Quando os números absolutos são ajustados pela população, a diferença fica ainda mais clara. Estados com população semelhante à de Santa Catarina registram taxas mensais de homicídio de três a cinco vezes maiores.
Em um país onde algumas unidades da federação ultrapassam 200 homicídios em apenas um mês, Santa Catarina encerrou janeiro com 43 mortes, a maior parte do território sem registros de assassinato e uma tendência de queda consistente ao longo dos últimos anos. A diferença não é de percepção. É de números oficiais.
Resumo dos números
- Santa Catarina: 8,19 milhões de habitantes, 43 homicídios em janeiro, taxa de 0,52 por 100 mil
- Ceará: 9,27 milhões de habitantes, 191 homicídios, taxa de 2,06 por 100 mil
- Espírito Santo: 4,13 milhões de habitantes, 88 homicídios, taxa de 2,13 por 100 mil
- Pernambuco: 9,56 milhões de habitantes, 252 homicídios, taxa de 2,64 por 100 mil
- Piauí: 3,38 milhões de habitantes, 51 homicídios, taxa de 1,51 por 100 mil
- Pará: 8,71 milhões de habitantes, 151 homicídios, taxa de 1,73 por 100 mil

