Uma pequena propriedade rural de Nova Trento, no Vale do Rio Tijucas, viveu momentos de desespero nesta semana após a destruição de toda a produção de queijos artesanais feita no local. O caso foi relatado pelos proprietários do Sítio Terra Santa, uma família que há dez anos produz queijos de cabra e doces no próprio terreno.
Segundo o relato publicado nas redes sociais, a ação ocorreu após uma denúncia, resultando na interdição do laticínio e na inutilização de mais de 100 quilos de queijo. Os produtos, segundo a família, eram premiados e haviam sido produzidos com todo o cuidado nas últimas semanas.
“O chão nos caiu sob os pés. Por causa de uma denúncia, fiscais e policiais armados vieram interromper nosso trabalho e destruir nossa produção”, escreveu o perfil do sítio no Instagram.
Os produtores afirmam que o trabalho sempre foi feito com higiene e transparência, com degustações abertas ao público e visitas guiadas, além de investimentos em equipamentos de pasteurização e câmaras de maturação. Eles dizem ter buscado a regularização do espaço e possuíam uma reunião marcada para esta semana com esse objetivo.
“Não era apenas queijo e doce de leite destruídos. Era o nosso esforço, empenho, lágrimas e sacrifício sendo descartados como se não importassem”, desabafaram.
A família diz que a abordagem foi “cruel” e que não houve sequer a possibilidade de guardar parte dos produtos para consumo próprio. Eles afirmam que esperavam uma visita técnica ou uma advertência, e não uma ação direta de apreensão e descarte.
“Pensávamos que, se viesse uma denúncia, isso aconteceria de outra forma: uma visita, um prazo para formalizar. Mas essa crueldade, não nos deixar nem guardar para nosso consumo, não há palavras para descrever”, publicou o perfil.
Com a destruição da produção e a interdição do espaço, o Sítio Terra Santa anunciou a suspensão temporária das atividades, incluindo vendas e eventos, até que consigam entender o que será possível fazer daqui pra frente.
A publicação gerou ampla repercussão entre produtores rurais e consumidores, que se solidarizaram com a família e criticaram o que chamam de “perseguição ao pequeno agricultor”.

