‘Salário do pecado é a morte’: autor de homicídio é executado em SC após sair da cadeia

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A noite de 20 de fevereiro de 2024 marcou de forma definitiva a história recente de Caçador e ajuda a explicar a escalada de violência que culminaria, quase dois anos depois, em uma execução dentro de um conjunto habitacional. A sequência de crimes envolvendo Cleser Soares dos Santos, 32 anos, expõe um ciclo de mortes, vingança e medo que atravessou bairros da cidade e deixou famílias destruídas.

O homicídio que deu início à sequência

Na manhã de 20 de fevereiro de 2024, por volta das 9h10, a Polícia Militar foi acionada para atender uma ocorrência de disparos de arma de fogo na Rua Dilma Deboni Petry, no bairro Martello. No local, um homem havia sido baleado dentro e ao redor de um veículo.

A vítima era Adair Cordeiro, pedreiro, de 32 anos, natural de Caçador. Ele estava acompanhado da companheira quando foi surpreendido pelos tiros. Segundo o relato dela aos policiais, Adair havia ido até o local para cobrar uma dívida ou “resolver um negócio” com Cleser Soares dos Santos.

Ainda conforme o depoimento, ao ser chamado, Cleser não respondeu verbalmente. Sacou um revólver e passou a atirar imediatamente. Adair estava fora do carro no início dos disparos. Mesmo ferido, conseguiu entrar no veículo e, por reflexo, acelerou, parando alguns metros à frente, em frente a um comércio de bebidas.

O carro apresentava pelo menos cinco marcas de tiros. Ela também foi atingida, mas sofreu apenas um ferimento superficial de raspão nas costas e não precisou de atendimento médico. Adair foi socorrido em estado grave pelos Bombeiros Voluntários e pelo Samu, mas morreu horas depois no Hospital Maicé.

O caso foi registrado como homicídio doloso consumado e homicídio doloso tentado, e um inquérito policial foi instaurado no mesmo dia. Cleser Soares dos Santos foi formalmente indiciado por homicídio, passando a figurar como autor do crime.

Um histórico marcado pela violência

Os registros policiais mostram que Cleser acumulava uma longa ficha criminal desde a adolescência. Ao longo dos anos, seu nome apareceu em boletins de ocorrência por ameaça, tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo, roubos, furtos e outros procedimentos policiais.

Esse histórico, somado ao homicídio de fevereiro de 2024, colocou Cleser no centro do radar das forças de segurança. Para a família, no entanto, o desfecho trágico que viria depois já era temido. Segundo relatos, havia preocupação constante com possíveis represálias.

A execução no Residencial Meu Lar

Quase dois anos depois, a violência retornou com força ainda maior. Na noite de 2 de janeiro de 2026, por volta das 21h, moradores do Residencial Meu Lar, no bairro Bom Sucesso, ouviram uma sequência intensa de disparos de arma de fogo. Inicialmente, muitos pensaram se tratar de fogos de artifício, já que o clima ainda era de virada de ano. Em segundos, gritos e correria tomaram conta do condomínio.

A vítima era Cleser Soares dos Santos.

Segundo relatos colhidos no local e uma transmissão ao vivo feita pelo Portal Notícia Hoje, dois homens surgiram por trás dos prédios, em uma área sem cobertura de câmeras de segurança. Eles se aproximaram de Cleser, que estava do lado de fora do bloco onde morava, e teriam dito que “ele já tinha perdido”.

Ao perceber a ameaça, Cleser tentou correr em direção ao bloco para se proteger. Os criminosos iniciaram os disparos ainda durante a fuga. Ele tentou escapar pulando desníveis do terreno, mas acabou fraturando o tornozelo, caiu e foi alcançado pelos atiradores.

Mesmo caído, continuou sendo alvo dos disparos. A ação se estendeu até o outro bloco do condomínio. No local, a Polícia Civil identificou aproximadamente 24 estojos de munição calibre 9 milímetros, evidenciando uma execução violenta e planejada.

Desespero e tentativa de socorro

O irmão da vítima estava em casa com a família quando ouviu os tiros. Ele correu até o local e encontrou Cleser caído de bruços, ensanguentado. Em choque, tentou reanimá-lo com as próprias mãos. “Tentei fazer alguma coisa, mas ele já estava sem vida”, relatou, com as roupas e as mãos cobertas de sangue em depoimento ao Portal Notícia Hoje.

Bombeiros Voluntários e equipes do Samu chegaram rapidamente e encaminharam Cleser em estado gravíssimo ao Hospital Maicé. Apesar do socorro, o óbito foi confirmado pouco depois da entrada na unidade hospitalar.

O local foi isolado pela Polícia Militar, que acionou a Polícia Civil e a Polícia Científica para os trabalhos de perícia. Moradores permaneceram nas janelas e nas áreas comuns, assustados com o nível de violência dentro do condomínio.

A motivação apontada

Durante o atendimento da ocorrência, Cleiton conversou com os policiais e confirmou a informação central para a investigação. Segundo ele, o assassinato do irmão seria uma vingança direta pelo homicídio ocorrido em fevereiro de 2024, quando Cleser matou Adair Cordeiro.

Moradores também relataram que três homens teriam participado da ação, todos usando máscaras, e que eles fugiram em direção a uma área de mata logo após os disparos.

Um ciclo que terminou em morte

A execução de Cleser Soares dos Santos escancarou um ciclo de violência iniciado com o homicídio de fevereiro de 2024. Um crime levou a outro, em uma sequência marcada por vingança, armas de fogo e medo.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que busca identificar os autores da execução e confirmar a motivação. Enquanto isso, duas famílias lidam com perdas irreparáveis e Caçador soma mais um episódio de violência extrema à sua história recente.

O som dos tiros que muitos confundiram com fogos, naquela noite no Residencial Meu Lar, marcou o ponto final de uma trajetória cercada por crimes, decisões erradas e um desfecho brutal que ainda ecoa entre moradores e familiares.

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