Na madrugada deste sábado (28), a comunidade do Papaquara, no Norte da Ilha, em Florianópolis (SC), voltou a ser cenário de violência ligada à disputa entre as facções criminosas Primeiro Grupo Catarinense (PGC) e Primeiro Comando da Capital (PCC).
O ataque a tiros terminou com dois mortos após perseguição e confronto com a Polícia Militar de Santa Catarina, em Florianópolis.

De acordo com as informações apuradas pelo Jornal Razão, uma caminhonete Mitsubishi L200 invadiu a comunidade efetuando mais de 20 disparos na altura da Servidão Braulina Machado, na Vargem Grande. Um morador acionou a polícia por telefone relatando que havia pessoas baleadas.
A guarnição do Tático estava nas imediações. Havia sido empenhada inicialmente para apoio aos bombeiros em uma ocorrência de incêndio na Rua Claraval, no Papaquara. Ao se aproximar da comunidade, os policiais visualizaram a caminhonete prata saindo com os faróis apagados e em alta velocidade, com três a quatro ocupantes. Um transeunte gritou para a viatura que o veículo havia acabado de realizar disparos no local.
Imediatamente foi iniciado o acompanhamento, com pedido de apoio e cerco por outras viaturas. Durante a fuga em direção ao Rio Vermelho, segundo a PMSC, os ocupantes efetuaram disparos contra a viatura do Tático. No decorrer da ocorrência, a guarnição foi informada via rádio de que um homem alvejado na comunidade havia dado entrada na UPA Norte, onde morreu. Ele foi identificado como Arthur Anacleto Paust, de 21 anos, natural de Florianópolis (SC).
A perseguição terminou em uma rua sem saída com acesso a trilhas e área de dunas. Os suspeitos abandonaram o veículo e abriram fogo contra os policiais, que reagiram. Os homens correram para uma área de mata e foi montado cerco com apoio de outras equipes.
Durante as buscas a pé, os policiais relataram ter ouvido movimentação em área alagada. Em determinado momento, um dos suspeitos surgiu na borda da vegetação armado e, conforme o relato das guarnições, efetuou disparos. Houve revide e ele foi alvejado. O óbito foi confirmado no local. Ele foi identificado pelo Jornal Razão como Tcharles Fernando, natural de Lages (SC).
Os demais suspeitos conseguiram fugir e não foram localizados até o fechamento da ocorrência. Posteriormente, foi constatado que a L200 utilizada no ataque era clonada. O veículo foi encaminhado à Central de Plantão Policial.
O Papaquara é apontado pelas forças de segurança como área sensível dentro da disputa entre o Primeiro Grupo Catarinense e o Primeiro Comando da Capital. Nos últimos anos, a região já foi citada em investigações e confrontos ligados à guerra por território no Norte da Ilha, inclusive com operações que resultaram em mortes de lideranças criminosas.
A Polícia Científica realizou a perícia nos locais do ataque e do confronto. A Polícia Civil investiga a motivação do crime, a participação dos envolvidos e a possível relação do ataque com a disputa entre facções que atuam na Grande Florianópolis.

